CAPÍTULO 6
MATERIAIS E SISTEMAS
Este capítulo apresenta os materiais e sistemas utilizados no desenvolvimento deste trabalho. Inicialmente descreve-se sucintamente a região de estudo. A seguir apresenta-se os materiais e sistemas utilizados para desenvolvimento e testes. Finalmente descreve-se o modelo de dados conceitual do SPRING, base para desenvolvimento da linguagem LEGAL.
6.1 - DESCRIÇÃO DA REGIÃO USADA COMO EXEMPLO
6.1.1 - LOCALIZAÇÃO
A região de estudo corresponde à folha Rio Fresco, (SB-22-Y-D) e está situada no estado do Pará, perfazendo uma área de 18150 Km2 (165km x 110km), entre os paralelos 7° 00¢ e 8° 00¢ de latitude Sul e os meridianos 51° 00¢ e 52° 30¢ de longitude Oeste. O mapa de localização da região é apresentado na figura 6.1.

Figura 6.1 - Localização da área de estudo, no Estado do Pará.
6.1.2 - A PAISAGEM DA FOLHA RIO FRESCO (SB-22-Y-D)
A análise geomorfológica da área contida na Folha Rio Fresco permite a caracterização, muito clara, de dois compartimentos distintos:
O primeiro compartimento faz parte da unidade morfoestrutural e morfoclimática denominada "Planalto Dissecado do Sul do Pará" (RADAMBRASIL, 1974) que é resultado da dissecação de antigos pediplanos, de idades pliocênica e pré-Cretáceo, que muitas vezes coincidem parcialmente.
Dentro da área da Folha Rio Fresco esta unidade foi esculpida em rochas pré-Cambrianas como os riolitos e outras rochas pertencentes ao episódio de vulcanismo ácido, fissural e explosivo do Grupo Uatumã, que formam as serras de Cubencranquém e da Fortaleza; granitos do tipo Serra dos Carajás que formam serras como a da Areia Branca, da Seringa e do Gorotire, e jaspilitos, itabiritos e quartzitos do Grupo Grão Pará, que aparecem nas serras do Coquinho, da Tocandera, do Trairão, Bom Jardim e da Seringa.
Sobre estas serras desenvolveram-se principalmente solos litólicos, e secundariamente podzólicos, que suportam vegetação de campo cerrado e florestas tropicais densas. Muitas vezes estas serras são capeadas por testemunhos residuais de arenitos ortoquartzíticos pré -Cambrianos da Formação Gorotire, como na Serra da Casa de Pedra , Serra do Cipó e Serra do Gorotire, locais em que os solos litólicos e afloramentos rochosos suportam campos cerrados pouco densos.
A tendência atual da erosão neste compartimento é de dissecação em cristas e vales encaixados.
O segundo compartimento participa da unidade morfoestrutural e morfoclimática "Depressão Periférica do Sul do Pará" (RADAMBRASIL, 1974), caracterizada como resultado da atuação dos processos erosivos pós-pliocênicos que, orientados pela litologia e geologia estrutural de grandes massas rochosas, elaboraram uma ampla faixa de circunsdenudação na periferia das bacias sedimentares paleozóicas do Piauí-Maranhão e do Amazonas, denominada Pediplano Pleistocênico.
Na área da Folha Rio Fresco o Pediplano Pleistocênico foi elaborado sobre rochas pré-Cambrianas, como as vulcânicas intermediárias (predominância de andesito) do episódio vulcânico efusivo do Grupo Uatumã, sobre as quais se desenvolveram associações de solos do tipo terra roxa estruturada, podzólicos e latossolos que suportam florestas tropicais abertas; rochas granodioríticas migmatizadas do Complexo Xingu sobre as quais se desenvolveram solos podzólicos que suportam cerradões e florestas tropicais abertas, e argilitos, folhelhos e arcózios da sedimentação intermontana do Grupo Uatumã, onde os latossolos associados a solos hidromórficos suportam cerradões.
A tendência atual da erosão neste compartimento é a dissecação generalizada do Pediplano Pleistocênico na forma de colinas e ravinas.
6.2. - MATERIAIS
Os materiais utilizados neste trabalho foram:
Foram utilizadas 6 imagens do satélite TM/LANDSAT -5, bandas 3,4,5, na escala 1:250000. Estas imagens foram utilizadas tanto no formato digital quanto em uma composição colorida (5R4G3B) em papel. Para cobrir toda a área foi necessário fazer um mosaico de duas cenas do satélite.
Cena 1: órbita 224, ponto 65. Data 24/07/1992
Cena 2: órbita 225, ponto 65. Data 31/07/1992
- Quatro cartas temáticas na escala 1:1000000 do Projeto RADAMBRASIL. Volume 4- Folhas SB/SC 22
Mapa Geológico;
Mapa FitoEcológico;
Mapa Geomorfológico;
Mapa Exploratório de Solos.
- Carta topográfica na escala 1:250000, confeccionada pelo Instituto Brasileiro de Geográfia e Estatística (IBGE/1982). Projeção UTM/SAD-69, carta Rio Fresco, Folha SB-22-Y-D MIR224.
- Relatório do PROJETO RADAMBRASIL Volume 4
6.3. - SISTEMAS
Na parte prática deste trabalho, foram utilizados os seguintes sistemas: YACC, SCARTA e SPRING
6.3.1- YACC
O yacc é um gerador de analisador gramátical, isto é, um programa para converter uma especificação gramatical de uma linguagem em um analisador gramatical para esta linguagem. Este analisador gramatical é na verdade um programa que analisa gramaticalmente sentenças escritas segundo esta linguagem. A figura 6.2 a seguir ilustra de forma mais clara o paragrafo anterior.

Fig. 6.2 - yacc um gerador de analisador gramatical.
6.3.2- SCARTA
O SCARTA é um módulo para edição de documentos cartográficos que utiliza como entrada um banco de dados geográficos organizado através do sistema SPRING. A edição final das cartas de vulnerabilidade apresentadas no capítulo 7 foram elaboradas através deste módulo.
6.3.3- SPRING
O SPRING, Sistema de Processamento de Informações Geo-referenciadas desenvolvido no INPE foi o principal sistema utilizado na parte prática deste trabalho. A linguagem LEGAL, apresentada no capítulo 5, foi especificada e está sendo desenvolvida tomando por base o modelo de dados do sistema SPRING. Em função disto, o uso da LEGAL pressupõe que os dados estejam organizados segundo este modelo.
O modelo de dados de um SIG, descreve como os dados são organizados e representados naquele SIG. No caso do sistema SPRING, uma descrição deste modelo pode ser encontrada no volume II do manual do usuário do sistema.
Para facilitar o entendimento do exemplo de manipulação em LEGAL apresentado no Capítulo 7 e dos apêndices A e B, o modelo de dados conceitual do SPRING e alguns palavras chaves usados neste trabalho são apresentados de forma sucinta a seguir.
6.3.3.1 - MODELO DE DADOS CONCEITUAL DO SISTEMA SPRING
O principio básico do modelo de dados do sistema SPRING é o de que dados geográficos podem ser descritos pelo conceito de geo-campo e geo-objeto.
A entidade banco de dados é o repositório de todos os dados geográficos manipulados pelo SPRING. Este repositório por sua vez, é formado por uma ou mais entidades denominadas de projeto; onde o projeto é composto por todos os dados disponíveis no banco de dados para uma determinada região geográfica.
Dentro de um projeto os dados são organizados por categorias. As categorias podem ser de seis tipos diferentes: Imagem, Temático, Numérico, Objeto, Cadastral e Não-Espacial. As entidades geográficas que podem ser modeladas como geo-campo são organizadas em categorias dos tipos Imagem, Temático, Numérico e, fazem parte do escopo deste trabalho. Já as entidades geográficas que podem ser modeladas como geo-objeto são organizadas em categorias dos tipos Objeto, Cadastral e Não-Espacial e, não fazem parte do escopo deste trabalho.
Em uma categoria de dados de um projeto, dados distintos são guardados em planos de informação diferentes. Por exemplo, se um projeto possui uma categoria do tipo Imagem denominada de TM/LANDSAT, cada banda do sensor TM forma um plano de informação diferente.
Para diferenciar classes distintas de um dado temático, uma categoria do tipo temático, no sistema SPRING, é formada por um conjunto de classes temáticas onde, cada uma destas classes temáticas pode ser associada a uma classe presente no dado. Por exemplo, em um plano temático de tipos de solos cada solo é associado a uma classe temática.
A figura 6.3 ilustra a organização dos dados no ambiente SPRING.

Figura 6.3 - Modelo conceitual do SPRING
Fonte: adaptada de Câmara (1995)