CAPÍTULO 8
SUMÁRIO, CONCLUSÕES E SUGESTÕES
Este trabalho discutiu os aspectos de concepção, implementação e uso dos operadores da Álgebra de Mapas, e abordou três etapas do fluxo dos dados no processo de conversão de dados geográficos em informações geográficas: a modelagem, a manipulação e a extração de informações através de uma aplicação. Com esta abordagem, esperamos ter contribuido para apresentar uma visão integrada do problema.
8.1 - SUMÁRIO
Com relação as questões de modelagem, os seguintes aspectos são importantes:
- A continuidade espacial presente na maioria das variáveis ambientais permite a definição da entidade conceitual geo-campo, a qual é definida em todas as posições da área de estudo e cujas propriedades são funções de suas coordenadas espaciais.
- A espacialização do conjunto de amostras de uma variável ambiental para fins de análise dá uma descrição mais realista de seu comportamento espacial, revelando características que difícilmente seriam percebidas pelo usuário quando estas amostras são apresentadas na forma tabular.
- A autocorrelação espacial presente entre os valores de uma variável ambiental, e a correlação cruzada existente entre as diferentes grandezas relativas a uma mesma área geográfica engendram a definição de um conjunto de operadores de manipulação de geo-campos, associados ao termo "Álgebra de Mapas".
- Na visão apresentada neste trabalho, a Álgebra de Mapas foi definida como um conjunto de operadores associados ao processamento da entidade conceitual geo-campo.
- A natureza discreta da representação de dados em computadores permite considerar seis representações geométricas para geo-campo:grade regular de células, regiões contíguas, grade triangular, isolinhas, grade regular de pontos e amostras irregulares. Cada representação geométrica incorpora características próprias, que a torna mais adequada para descrever um determinado tipo de processo ambiental.
Com relação aos processos de manipulação de dados geográficos, as seguintes questões merecem destaque:
- Ao programar as operações conceituais da Álgebra de Mapas em computadores, é necessário considerar as características das diferentes representações geométricas associadas aos geo-campos e os interpoladores usados para conversão entre estas representações.
- Para implementar a Álgebra de Mapas, é imprescindível dispor de uma linguagem de comandos com sintaxe e semântica apropriadas para o tratamento de dados geográficos, e que permita automatizar roteiros de manipulação.
8.2 - CONCLUSÕES
Da extração de informações, através do exemplo de manipulação em LEGAL apresentado no capítulo 7, pode-se tirar as seguintes conclusões:
- É viável a utilização da linguagem LEGAL não só para automatizar as etapas de manipulação de dados geográficos no ambiente do sistema SPRING, mas também para documentar estas etapas, pois, a listagem com a sequência de operações é de fácil leitura.
- A execução do roteiro metodológico exigiu a manipulação de todos os dados, tanto na forma analógica (papel), para conversão para o formato digital, quando na forma digital, para utilização na linguagem LEGAL. A organização dos dados e o acesso às informações são extremamente facilitados no formato digital.
- Os resultados obtidos em manipulações automatizadas, são a princípio mais sensíveis à qualidade dos dados de entrada, devido a menor interação do usuário durante o processo de manipulação. Em função disto, a possibilidade de se gerar resultados intermediários durante uma manipulação automatizada, é importante para permitir a avaliação de eventuais erros.
- A utilização direta de dados digitalizados a partir de cartas temáticas do projeto RADAMBRASIL, não se mostrou confiável, devido a pequena acurácia destes dados provenientes de um sistema sensor de baixa resolução espectral, espacial e temporal. A atualização destes dados, a partir de sistemas sensores de tecnologia mais recente, é essecial para uma melhor qualidade dos dados.
8.3 - SUGESTÕES
Para que a linguagem LEGAL venha a satisfazer os objetivos de sua proposta, ou seja, tornar-se um ambiente geral para análise geográfica, é necessário, entre outras coisas, que as limitações discutidas no capítulo 5, e que não foram resolvidas por este trabalho, sejam eliminadas.
Adicionalmente sugere-se que as seguintes extensões na linguagem sejam avaliadas:
- Conversão automática entre as representações geométricas dos dados, com o objetivo de torná-las transparentes para o usuário.
- Possibilidade de interação, quando desejado, para definir o tipo de interpolação a ser utilizado na conversão, em função das necessidades do usuário.
- Definição genérica de um conjunto de regiões, onde por exemplo um plano de informação defina todas as regiões usadas em um operador zonal. Esta implementação evitaria a necessidade de especificação explícita de cada região, como no caso do operador de média zonal das unidades territoriais básicas usadas no exemplo de manipulação em LEGAL do capítulo 7.
- Com o objetivo de refinar a sintaxe e a semântica da linguagem, sugere-se a execução de outros roteiros de manipulação, com domínios diferentes usando a linguagem LEGAL. Por exemplo, modelos hidrológicos, modelos ecológicos, etc.
- Para facilitar a curva de aprendizado de novos usuários, seria extremamente útil dispor de uma interface de manipulação direta para a construção interativa de um programa em LEGAL. Esta interface ofereceria mecanismos de seleção e arrasto (drag-and-drop) e permitiria construir os programas da LEGAL através de um diagrama de fluxo de dados.
- Numa etapa seguinte, vale a pena considerar a extensão da linguagem no sentido de tratar campos vetoriais, como por exemplo, campos de vento com magnitude e direção associados a cada posição.