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EXTRAÇÃO DE REDE DE DRENAGEM DE IMAGEM DE RADAR USANDO MODELOS DIGITAIS DE TERRENO

Sergio Rosim Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
INPE, AV dos Astronautas, 1758, 12.201-970
São José dos Campos - SP – Brasil, 012, 345-6503, 345-6468
sergio@dpi.inpe.br

Sergio Roberto Matielo Pellegrino
Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA
Praça Marechal Eduardo Gomes, 50, Vila das Acácias - CEP 12228-901
São José dos Campos - SP – Brasil, 012, 347 5893, 347 5899
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Resumo

A extração automática de rede de drenagem de uma região do Polígono das Secas no nordeste do país é mostrada. A metodologia empregada faz uso de um modelo numérico de elevação gerado por interferometria SAR representado em modelo de grade regular retangular. O algoritmo que implementa essa metodologia extrai a rede em duas fases principais: definição dos fluxos da rede, que usa apenas um fator Kt (Kt = 3 até Kt = 6) relacionado ao detalhamento da rede, e eliminação de artefatos indesejáveis, como por exemplo "loops" gerados na fase anterior. Um complemento é usado para tratamento de depressões que, normalmente, não aparecem no relevo real. A visualização dos resultados será apresentada sobrepondo a rede de drenagem e a imagem original, sendo que será gerado um resultado para cada fator Kt. Este trabalho foi desenvolvido sob a plataforma SPRING - Sistema de Processamento de Informações Georeferenciadas, um produto da Divisão de Processamento de Imagens – DPI, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE.

Abstract

This paper presents an automatic extraction of drainage network for the "Polígono das Secas" in the Northeastern Brazil. The methodology uses a regular grid digital terrain model obtained through SAR interferometry. The automatic procedure has two main steps: network stream definition, which uses a threshold Kt (ranging from 3 to 6) to establish detail level, and unwanted artifact elimination (like loops, for example). The method also removes depressions that are unlikely to exist in the real topography. Each threshold Kt generates a result, which is displayed superimposed to the original image. This study used SPRING (Georeferenced Information Processing System), a GIS developed at the Image Processing Division (DPI) of the Brazilian National Institute for Space Research (INPE).

MOTIVAÇÃO

A rede de drenagem de uma região geográfica define os caminhos de escoamento de líquidos, normalmente água de chuva, de acordo com o relevo da região. A informação por ela gerada é usada em atividades diversas, tais como: estudo de relevo, determinação de áreas com risco de erosão do solo, transporte de poluentes, delimitação de áreas inundadas e estudo de bacias hidrográficas.

Nas últimas duas décadas vários métodos foram criados com o objetivo de extrair a rede de drenagem automaticamente, usando modelos de dados conhecidos como Modelos Numéricos de Terrenos – MNT, em particular o modelo de grade regular retangular. Este modelo é regular pois apresenta espaçamento igual na horizontal e na vertical podendo ser diferente nos dois eixos (FELGUEIRAS, 1998).

Cada ponto da grade possui uma posição geográfica e um valor de elevação. Esta elevação é calculada, na maioria das vezes, por um processo de interpolação das amostras adquiridas, que representam o relevo da região alvo, segundo algum critério de vizinhança. A grade, pela facilidade em utilizá-la, tornou-se o modelo sobre o qual desenvolveu-se a maioria dos métodos de extração de rede de drenagem, como o método empregado neste trabalho. Uma fora de gerar a grade regular consiste em utilizar a técnica de interferometria. A essa grade deu-se o nome de modelo de elevação de radar ou modelo de elevação interferométrico (MURA, 1992).

Este modelo é gerado a partir de duas imagens complexas SAR (de intensidade e fase). Elas podem ser adquiridas em uma mesma plataforma, com duas antenas separadas de uma distância chamada de linha de base, ou utilizando uma antena com duas passagens sobre a mesma área.

A fase de cada pixel da imagem original está relacionada com a elevação do terreno. A diferença de fase entre pixels correspondentes nas duas imagens originais possibilita a criação modelo de elevação do terreno, ou seja, de uma grade regular retangular.

EXTRAÇÃO DA REDE DE DRENAGEM

O método utilizado (MEISELS, 1995), conhecido como Algoritmo de Esqueletização em Vários Níveis, extrai a rede de drenagem por um processo de busca contínua em caminhos de mesma elevação, produzindo uma série de esqueletos que formarão os fluxos da rede.

É composto por um núcleo principal de extração da rede, um algoritmo de enumeração para eliminação de "loops", resultantes da esqueletização, e de processamento auxiliar para eliminação de depressões que, normalmente, aparecem em um modelo digital mas não existem no terreno.

Um aspecto de destaque deste método é o fato de não necessitar de parâmetros fornecidos pelo usuário, como na maioria dos métodos de extração de redes usando grade regular. O usuário deve fornecer somente um valor de patamar Kt, para definir o nível de detalhamento da rede, sendo que Kt com valor menor gera uma rede mais detalhada. A seguir, são descritos os principais elementos deste método.

O algoritmo do núcleo principal extrai a rede de drenagem percorrendo a grade toda, repetidamente, para cada valor de elevação nela existente, ou seja, percorre a grade por linhas de contorno. Existe uma ligação entre curvatura de uma linha de contorno com a existência de escoamento d’água. Como a busca é feita do início do fluxo para seu final é necessário que se ordene os valores de elevação da grade na forma decrescente.

Inicialmente, a cada ponto, com valor de elevação máximo, atribui-se o valor de elevação de fundo ou "background" (DELAZARI, 1996), iniciando a busca a partir da elevação imediatamente inferior. Esse valor de fundo é usado para determinação dos pontos da grade que pertencem à rede. Assim, justifica-se a troca inicial pois elevações maiores definem, potencialmente, fluxo passando por seus vizinhos. Neste método, o fluxo será definido em relação ao número de vizinhos que tenham elevação maior que o ponto pesquisado, em relação a duas condições: grau de curvatura e conectividade, descritas a seguir.

O grau de curvatura de um ponto é estimado de acordo com o número de valores de fundo (de elevação maior) contíguos necessários, com o patamar Kt, considerando os seus oito vizinhos. A Figura 1 (MEISELS, 1995) mostra esta regra para todos os valores de Kt utilizados neste método com elipses brancas como "background".


Figura 1: possibilidades do fator Kt.

A conectividade pesquisa o número de vezes que há o cruzamento de valor de fundo na vizinhança do ponto central. O encontro de dois ou mais cruzamentos na sua vizinhança implica em fluxo passando pelo ponto. Para que se defina um ponto da grade como pertencendo a um fluxo da rede de drenagem basta que uma das condições anteriores seja verdadeira. O algoritmo, mostrado a seguir, apresenta os passos para determinar a rede de drenagem sendo dividido em duas fases.

A primeira faz uma busca de acordo com o critério de grau de curvatura das linhas de contorno. A segunda fase usa o critério de conectividade para determinar a continuidade de toda rede, a partir dos pontos extraídos na fase anterior. A Figura 2 mostra o resultado do algoritmo de extração da rede de drenagem aonde pode-se observar que alguns artefatos não pertencentes à rede (loops e pontos terminais) foram também gerados.


Figura 2: Estágio de rede com "loops" e pontos terminais.

Para resolver esses problemas efetua-se uma fase de pós processamento onde empregam-se, em seqüência, dois algoritmos conhecidos como algoritmo de enumeração e algoritmo que percorre a rede. O algoritmo de enumeração atua sobre todos os valores de elevação da grade enumerando os pontos pertencentes ao fluxo de baixo para cima. O algoritmo seguinte finaliza a rede percorrendo-a de cima para baixo eliminado os artefatos anteriormente citados. O resultado é apresentado na Figura 3 sobrepondo-se a rede final e no estágio anterior, sem enumeração.


Figura 3: Processo de enumeração em azul. Sem enumeração em vermelho.

RESULTADOS OBTIDOS

A região de estudo utilizada encontra-se no Polígono das Secas do Nordeste brasileiro e faz parte do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Nesta fase, que é de levantamento de dados, a execução está sendo feita pela Fundação FUNCATE, de São José dos Campos, que cedeu as imagens para este trabalho.

O conjunto de dados é composto por uma imagem que mostra a região e outra que contém o modelo de elevação já convertido para níveis de cinza. A Figura 4a mostra a imagem da região com um retângulo que delimita a parcela da imagem que foi realmente utilizada e a Figura 4b a imagem de elevação.


Figura 4: Imagem original, (a) e imagem gerada do modelo de elevação (b).

O programa foi executado quatro vezes, usando Kt = 3, Kt = 4, Kt = 5 e Kt = 6. Pode-se observar a diferença de detalhamento entre as três representações. A Figura 5 mostra cada resultado sobrepondo a imagem original à rede de drenagem.


Figura 5: Resultados com diferentes Kts. 6a usa Kt = 3, 6b Kt = 4, 6c Kt = 5 e 6d Kt = 6.

O resultado da rede de drenagem foi convertido de imagem para representação vetorial. Dessa forma, pode-se editar a rede e corrigir falhas ou inserir segmento que não foram extraídos automaticamente. A edição sempre será necessária para complementar o processo automático.

A continuidade deste trabalho irá no sentido de verificação de qualidade dos resultados com métodos manuais para que se possa chegar a um ponto de utilização real dessa metodologia. Além disso, no que se refere ao sistema SPRING o objetivo é dotá-lo de um módulo completo para extração de redes de drenagens usando também modelos de redes triangulares irregulares.

BIBIOGRAFIA

DELAZARI, L.S. 1996; "Extração Automática de Redes de Drenagem a partir de Modelos Digitais de Terrenos", Dissertação de Mestrado, Curso de Pós-Graduação em Ciências Geodésicas, Universidade Federal do Paraná.

FELGUEIRAS, C.A. 1998, "Curso de Modelagem Digital de Terrenos e Aplicações", apostila do curso de SPRING.

MEISELS, A.; RAIZMAN, S.; KARNIELI, A. 1995; "Skeletonizing a DEM into Drainage Network", Computers & Geosciences, V. 1, pp. 187-196.

MURA, J.C. 1992; "Mapeamento Topográfico por Interferometria utilizando Imagens SAR do ERS-1", SIBGRAPI V, pp. 61-64.

 

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