O evento de precipitação mais intenso registrado no Brasil (> 950 mm em 14 dias em maio de 2024) afetou milhões de pessoas no sul do país. Os danos incluem diversas mortes e outros problemas sociais, bilhões em perdas econômicas e uma devastação ambiental massiva com mais de 15.000 deslizamentos de terra e sedimentos depositados em áreas planas. Como as enchentes intensas estão se tornando mais frequentes nessa região e não havia estimativas do transporte de sedimentos durante esses eventos, estimamos o transporte de sedimentos em suspensão na bacia do Rio Guaíba para três grandes enchentes recentes (setembro e novembro de 2023 e maio de 2024). Utilizamos o modelo hidrológico MGB-SED e precipitação diária para calcular a erosão, o transporte e a deposição de sedimentos, com calibração focada na representação de eventos extremos. Nosso modelo mostrou que cerca de 5 milhões de toneladas de sedimentos em suspensão foram entregues ao Rio Guaíba durante o evento de 2024, seguido por 2,3 milhões de toneladas em setembro de 2023 e 1 milhão de toneladas em novembro de 2023. Comparado à média de longo prazo simulada entre 1975 e 2015 (7,3 kt/dia), o pico de 2024 foi cerca de 63 vezes maior. A quantidade de sedimentos proveniente do Rio Taquari-Antas representou 58 % do total no evento de novembro e 66 % nos eventos de setembro e maio, enquanto o Rio Jacuí contribuiu com 27 % e 30 %, respectivamente. As condições extremas de precipitação e as características topográficas tornaram o evento de 2024 o que mais transportou sedimentos na história recente da bacia.