Veja como executar
Modelo de Mistura no SPRING.
Problemas de mistura ocorrem em imagens de Sensoriamento Remoto devido à resolução
espacial dos sensores que, em geral, permite que um elemento de cena (correspondente a um
pixel da imagem) inclua mais de um tipo de cobertura do terreno. Quando um sensor observa
a cena, a radiância detectada é a integração, denominada mistura, de todos os
objetos, denominados componentes da mistura, contidos no elemento de cena.
Na literatura, são encontradas duas linhas de trabalhos relacionadas ao problema de mistura:
A ferramenta de Modelo de Mistura do SPRING insere-se nesta segunda linha de trabalhos. As próximas seções apresentam o embasamento teórico necessário para utilizar adequadamente Modelos de Mistura, exemplos de aplicações para a área de floresta e instruções sobre a manipulação da ferramenta. Para maiores detalhes, consultar Aguiar (1991) e Shimabukuro (1987).
Em um Modelo Linear de Mistura, o valor do pixel em qualquer banda espectral é considerado como a combinação linear da resposta de cada componente dentro do pixel.
O modelo pode ser expresso como:
r 1 = a11 x 1 + a12 x 2
+ ... + a 1nx n + e1
r 2 = a 21x 1 + a22 x 2 + ... + a 2nx
n + e2
...
rm = a m1x1 + am2 x2 + ... + a2n
xn + em
isto é,
n
ri = S (aij xj ) + ei ,
i = 1,..., m (número de bandas) (1)
j=1 j = 1, ..., n (número de componentes )
n <= m e
S = somatório
onde:
ri : reflectância espectral na iésima banda espectral de
um pixel (i.e., valor do pixel na banda i, convertido para valor de reflectância).
aij : reflectância espectral conhecida do jésimo componente
na iésima banda espectral.
xj : valor a ser estimado de proporção do jésimo componente
dentro do pixel; e
ei : erro de estimação para a iésima banda espectral.
As estimativas dos xj estão sujeitas às seguintes restrições:
n
S xj= 1 (2)
j=1
0 <= xj <= 1 (3)
Estas restrições são impostas porque os xj representam proporções de área dentro de um elemento de cena. No entanto, a restrição (3) é opcional, como será descrito nas próximas sessões.
A escolha da assinatura espectral dos elementos considerados como componentes da mistura é crítica para a estimação correta das proporções. Na versão atual da ferramenta do SPRING, os valores de assinatura espectral podem ser digitados ou obtidos com o cursor, sobre pixels considerados "puros". Em versões futuras, planeja-se implementar interfaces com bibliotecas de curvas espectrais.
Na descrição do modelo acima, os valores da assinatura espectral e dos pixels são descritos como valores de reflectância. Isto é indicado quando as curvas espectrais são obtidas em uma biblioteca externa ou através de trabalhos previamente realizados. Na versão atual do software, se este for o caso, deve-se converter a imagem original para valores de reflectância, escalonados para o intervalo de [0, 255]. Infelizmente, o SPRING não possui tal funcionalidade, que deve ser executada externamente. Realizar a estimação de proporções utilizando a imagem original sem efetuar previamente a conversão, acarretará erros de estimação. Se os valores forem obtidos na própria imagem, através de pixels puros, não será necessário realizar a conversão.
O cálculo de erro médio no processo de estimação de proporções e a geração de imagens de erro, são indicadores da adequação dos componentes selecionados e de suas assinaturas. Adicionalmente, existe a possibilidade de não aplicar a restrição (3). Neste caso, os valores de proporção negativos ou superiores a um, obtidos em determinados pixels, embora fisicamente sem sentido, podem ser considerados como indicadores espaciais da inadequação do modelo de mistura adotado para uma dada cena.
Os métodos implementados no SPRING para estimar as proporções dentro de um pixel procuram selecionar as proporções de modo que a combinação das assinaturas espectrais dos componentes seja a melhor aproximação do valor do pixel observado.
Os métodos baseiam-se no critério dos Mínimos Quadrados, cujo objetivo é estimar as proporções xj minimizando a soma dos quadrados dos erros ei, sujeito à restrição dada pela equação (2) e, opcionalmente, sujeito à equação (3).
Os seguintes métodos estão disponíveis:
Os resultados obtidos por estes métodos são similares; a escolha do método mais adequado deve basear-se, portanto, no número de componentes da mistura e na decisão sobre a aplicação da restrição (3).
Uma vez que as proporções xj tenham sido obtidas, n (número de componentes) bandas de proporção são geradas, As bandas de proporção geradas pertencem ao Modelo Imagem, são incluídas no mesmo Projeto das bandas originais, e são armazenadas em formato GRIB como imagens de 8 bits.
Os valores atribuídos aos pixels destas imagens dependem da aplicação ou não da restrição (3), como descrito a seguir:
O cálculo dos indicadores de erro descritos nesta seção visam auxiliar a análise da adequação do modelo de mistura a uma determinada cena.
Para cada pixel da imagem, após estimadas as proporções por um dos métodos descritos acima, é possível calcular o erro de estimação para cada banda. Para cada banda i, o termo de erro ei é dado por :
n
ei = ri - S (aij xj ),
i = 1, ..., m (número de bandas) (4)
j =1
j = 1, ..., n (número de componentes )
Tomando estes valores de erro por pixel, podem ser calculados o erro médio por banda e total. Adicionalmente, é possível gerar as imagens de erro, que apresentam a distribuição espacial dos erros. Os valores destas imagens são obtidos pela multiplicação do valor absoluto dos ei pelo fator de escala 255. Normalmente, os valores de erro são muito baixos, portanto sugere-se a aplicação de realce de contraste nestas imagens para facilitar a visualização da distribuição espacial dos erros.
Segundo Shimabukuro (1987), em áreas florestais são encontrados, principalmente, três componentes: a copa das árvores, solo e sombra. Adams et al. (1990) descrevem tipos de uso do solo encontrados na Amazônia em termos de quatro componentes: vegetação, solo, sombra e madeira.
Shimabukuro propõe a utilização da imagem formada pela proporção de sombra em cada pixel como indicadora de variações na estrutura da floresta, isto é, a proporção estimada de sombra indica variações na idade, tipo e forma das copas das árvores.
Segundo Aguiar (1991), a utilização de Modelos de Mistura pode ser considerada como um método alternativo das técnicas convencionais de redução do espaço de atributos, tanto como entrada para métodos de classificação automática pelo método de Máxima Verossimilhança, sendo comparável a métodos tradicionais, como para fins de Interpretação Visual. Neste caso, o modelo de mistura apresenta como vantagem o fato de que as informações contidas nas imagens geradas representam conceitos físicos, isto é, as proporções dos componentes, mais facilmente assimiláveis do que a assinatura espectral dos alvos.
A execução de um modelo de mistura envolve alguns passos a serem definidos pelo usuário. Uma sequência resumida de como criar um modelo e aplicá-lo, pode ser:
Consulte também:
Outras técnicas de Processamento de Imagem.
Como executar um Modelo de Mistura.