Processos de Modelagem

Visão Geral dos Processos


O Universo do Mundo Real

O modelo do SPRING não está limitado a uma particular área de aplicação de Geoprocessamento e que possa incorporar aplicações tão diversas como Estudos Ambientais, Agricultura, Geologia e Redes.

Para tanto, as diversas áreas de aplicação de Geoprocessamento, em função dos tipos de dados utilizados foram mapeadas, como ilustrado na Tabela a seguir.

Aplicações Típicas de Geoprocessamento
AplicaçõesEscalas típicasTipos de dados Represent. Gráficas Operações
Floresta1:10.000 a 1:500.000 Cadastro rural (talhões)Matricial, vetorialClassif. imagens, consulta espacial
Agricult.1:25.000 a 1:250.000Dados temáticos, S. Remoto,MNTMatricial,vetorial, grades, TINAnálise espacial, declividade
Geologia1:100.000 a 1:2,500,000MNT, dados temáticos,imagens Matricial, gradesTransf. IHS, visualiz. 3D
Redes1:1.000 a 1:10.000Redes lineares (topologia)VetorialConsulta espacial, cálculos dedicados
Estudos Urbanos 1:1.000 a 1:25.000Redes, cadastro urbano VetorialConsulta espacial

Consulte também:
Como criar um Projeto
Como criar um PI
Como definir o Esquema Conceitual no SPRING

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O Universo Conceitual

Em Geoprocessamento, o espaço geográfico é modelado segundo duas visões complementares: os modelos de campos e objetos (Worboys, 1995). O modelo de campos enxerga o espaço geográfico como uma superfície contínua, sobre a qual variam os fenômenos a ser observados, segundo diferentes distribuições. Por exemplo, um mapa de vegetação descreve uma distribuição que associa a cada ponto do mapa, um tipo específico de cobertura vegetal, enquanto um mapa geoquímico associa o teor de um mineral a cada ponto.

O modelo de objetos representa o espaço geográfico como uma coleção de entidades distintas e identificáveis. Por exemplo, um cadastro espacial dos lotes de um munícipio identifica cada lote como um dado individual, com atributos que o distinguem dos demais. Igualmente, poder-se-ia pensar como geo-objetos os rios de uma bacia hidrográfica ou os aeroportos de um estado.

As aplicações de Geoprocessamento lidam estes dois grandes tipos de dados:

O aspecto fundamental da distinção entre campos e objetos é a questão da identidade. Existem milhares de áreas no Brasil classificáveis como “latossolo roxo”, mas existe apenas um “Jardim Botânico do Rio de Janeiro”.

A existência de um campo só se materializa quando de sua representação no espaço geográfico. A região geográfica que define uma área de “latossolo roxo” em São José dos Campos não é uma entidade individual. O que pode ser identificável é o “mapa de solos do Vale do Paraíba”.

Os objetos têm existência independente de sua representação num mapa; num sistema de Geoprocessamento, são usualmente criados a partir de seus atributos e só depois localizados no espaço. Por exemplo, pode-se falar dos objetos “escolas de São José dos Campos”, e mais especialmente do “Colégio Mater Dei”.


Classes do Universo Conceitual

Inicialmente, será importante estabelecer a base geométrica na qual as classes do modelo são definidas. A partir de uma região contínua da superfície terrestre, podemos definir nosso conceito de região geográfica (ou reticulado geográfico).

“Definimos com uma região geográfica R como uma superfície qualquer pertencente ao espaço geográfico, que pode ser representada num plano ou reticulado, dependente de uma projeção cartográfica apropriada.”

A região geográfica R serve de suporte geométrico para localizações geográficas, pois toda uma localização geográfica será representada por um ponto de R. O uso de um conjunto discreto de pontos facilita uma definição formal das classes de dados geográficas e das operações associadas. A definição de região geográfica proposta não restringe a escolha da representação geométrica (matricial ou vetorial) associada aos objetos geográficos.

As classes básicas do modelo, definidas a seguir, são:


Consulte também:
Resumo do Universo Conceitual

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Universo de Representação

Ao discutir o universo de representação, estaremos indicando quais as estruturas a ser utilizadas para construir um sistema de Geoprocessamento.

O conceito básico utilizado é o de REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA. Uma representação define uma descrição geométrica de um plano de informação, que pode ser especializada em:


Universo de representação.


Consulte também:
Diferenças entre representação vetorial e varredura !
Como converter de vetorial p/ varredura ?
Como converter de varredura p/ vetor ?


Hierarquia de Representações Matriciais

A REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA MATRICIAL pode ser especializada segundo a hierarquia de classes mostrada na figura abaixo.


Hierarquia de classes para REPRESENTAÇÃO MATRICIAL.

As classes derivadas de REPRESENTAÇÃO MATRICIAL são:
  1. GRADE REGULAR: uma grade regular é uma matriz de reais.
  2. IMAGEM EM TONS DE CINZA: imagem representada através de uma matriz onde os valores da matriz representam os valores de cinza da imagem.
  3. IMAGEM TEMÁTICA: representação matricial de um geo-campo TEMÁTICO, Por exemplo, numa imagem temática, um elemento da matriz de valor 2 pode estar associado ao tema “Floresta Ombrófila”.
  4. IMAGEM SINTÉTICA (ou CODIFICADA): representação de uma imagem em cores, utilizada para mostrar imagens em composição colorida em placas gráficas falsa-cor.

Hierarquia de Representações Vetoriais

Para definir esta hierarquia, precisamos inicialmente precisar melhor o que entendemos pelas primitivas geométricas: coordenadas2D, coordenadas 3D, nó2D, nó rede, arcos, arcos orientados, isolinhas e polígonos.

Dada uma região geográfica R, pode-se definir:

  1. COORDENADA 2D: Uma coordenada 2D é um objeto composto por uma localização singular (xi, yj) E R.
  2. COORDENADA 3D: Uma coordenada 3D é um objeto composto por uma localização singular (xi, yj, z), onde (xi, yj) E R.
  3. PONTO 2D: Um ponto 2D é um objeto que possui atributos descritivos e uma coordenada 2D.
  4. LINHA 2D: Uma linha 2D possui atributos e inclui um conjunto de coordenadas 2D.
  5. ISOLINHA: uma isolinha contém uma linha 2D, associada a um valor real (cota).
  6. ARCO ORIENTADO: um arco orientado contém uma linha 2D, associada a uma orientação de percorrimento.
  7. NÓ 2D: um nó 2D inclui uma coordenada 2D (xi, yi) E R e uma lista L de linhas 2D. Trata-se da conexão entre duas ou mais linhas, utilizada para manter a topologia da estrutura;
  8. NÓ REDE: um nó de rede contém um nó 2d e uma lista de arcos orientados, onde a cada instância associamos uma impedância e um custo de percorrimento.;
  9. NÓ 3D: uma instância desta classe contém uma coordenada 3D (xi, yi, z)) e um lista L de linhas 2D. Trata-se da conexão entre três ou mais linhas de uma grade triangular;
  10. POLÍGONO: Um polígono contém uma lista de linhas 2D e uma lista de nós 2D, que descrevem as coordenadas da área externa e das áreas internas que compõem o polígono.

Uma vez definidas as primitivas geométricas vetoriais, podemos estabelecer a hierarquia de representações geométricas vetoriais, como mostrado na figura abaixo.


Hierarquia de classes para REPRESENTAÇÃO VETORIAL.

Na figura acima, distinguimos os relacionamentos de especialização (“is-a”), inclusão de uma instância (“part-of”), inclusão de um conjunto de instâncias (“set-of”) e inclusão de uma lista de identificadores de instâncias (“list-of”). Este último relacionamento será utilizado para manter a topologia 2D. Consideramos aqui, as seguintes especializações de REPRESENTAÇÃO VETORIAL:
  1. CONJUNTO DE PONTOS 2D: uma instância desta classe é um conjunto de pontos 2d, utilizado para guardar localizações isolados no espaço (p.ex. no caso de poços de petróleo).
  2. CONJUNTO DE ISOLINHAS: uma instância desta classe é um conjunto de linhas, onde cada linha possui uma cota e as linhas não se interseptam.
  3. SUBDIVISÃO PLANAR: dada uma região geográfica R, uma instância desta classe contém um conjunto Pg de polígonos, L de linhas 2D e N de nós 2D.
  4. GRAFO ORIENTADO: uma instância desta classe é uma representação, composta de um conjunto de nó rede e de um conjunto de arco orientado 2d.
  5. GRADE TRIANGULAR: uma instância desta classe contém um conjunto de nós 3D e um conjunto L de linhas 2D tal que todas as linhas se interseptam, mas apenas em seus pontos iniciais e finais.
  6. MAPA PONTOS 3D: uma instância desta classe é um conjunto de coordenadas 3d. Trata-se de um conjunto de amostras 3D.

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Universo de Implementação

Ao discutir o universo de implementação, estaremos indicando quais as estruturas de dados a ser utilizadas para construir um sistema de Geoprocessamento. Aqui tratamos com decisões concretas de programação e que podem admitir número muito grande de variações. Estas decisões podem levar em conta as aplicações às quais o sistema é voltado, a disponibilidade de algoritmos para tratamento de dados geográficos e o desempenho do hardware. Para uma discussão sobre os problemas de implementação de operações geográficas, veja-se Güting et al. (1995).

Um dos aspectos principais a ser levados em conta no universo de implementação é o uso de estruturas de indexação espacial. Os métodos de acesso a dados espaciais compõem-se de estruturas de dados e algoritmos de pesquisa e recuperação e representam um componente determinante no desempenho total do sistema. Apanhados gerais da literatura são feitos em Cox Junior (1991) e Rezende (1992).

Estes métodos operam sobre chaves multidimensionais e dividem-se conforme a representação dos dados associados: pontos (ex: árvores K-D), linhas e polígonos (ex: árvores R e R+) e imagens (ex: árvores quaternárias). Estes e outros métodos têm possibilitado (principalmente no caso de pontos e linhas) grandes melhorias de desempenho no acesso a dados geográficos.

O grande fator limitante da maior parte dos métodos de acesso estudados é que foram projetados para operar em memória principal. Num SGBDG de grande porte, é preciso fazer acesso eficiente a dados em memória secundária. Isto vale tanto para dados vetoriais como dados matriciais. No caso de dados vetoriais, Mediano, Casanova e Dreux (1994) apresentam uma nova proposta de utilizar uma extensão das árvores-B para poder apresentar apenas os dados geográficos relevantes para uma determinada escala, sem incorrer em procedimentos desnecessários. Esta estrutura, chamada de árvore-V, permite ainda o acesso a dados multiresolução e é muito conveniente como suporte a métodos de folheamento de um grande banco de dados.

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Relação entre os universos do Modelo

O paradigma dos “quatro universos de modelagem” (Gomes e Velho, 1995) parte do princípio que o mapeamento entre cada universo não é reversível e admite alternativas. Discutiremos a seguir estas relações.

Do Mundo Real para o Universo Conceitual

A passagem do mundo real para o universo conceitual pode admitir algumas variações, conforme o domínio de aplicação. Em alguns casos, o mapeamento é direto: por exemplo, as imagens de satélite e grandezas topográficas e geofísicas são naturalmente mapeadas para instâncias de GEOCAMPO. No caso de mapas municipais e de divisão política, sua associação com as classes GEO-OBJETO e MAPA DE GEO-OBJETOS é também direta.

Os levantamentos temáticos podem se prestar a duas interpretações, conforme seu uso: quando se tratar de trabalhos de inventário (como o mapa de vegetação da Amazônia), devem ser modelados como instâncias de GEOCAMPO (ou, mais especificamente, da classe TEMÁTICO). No caso de estudos detalhados em médias e grandes escalas (como no zoneamento ecológico-econômico), onde cada região é caracterizada por qualificadores específicos, é conveniente que estes levantamentos sejam associados a instâncias de GEOOBJETOS e de MAPA DE GEO-OBJETOS.


Do Universo Conceitual para a Representação

Este mapeamento apresenta várias alternativas não-excludentes, a saber:

A literatura tem consagrado a conclusão de que um SIG de propósito geral deve prover todas as alternativas de representação.


Das Representações para a Implementação

Conforme dissemos anteriormente, a realização do universo de implementação é decisão concreta de programação. Faremos aqui algumas considerações de ordem prática:


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Resumo

Para compreender melhor a relação entre os diferentes universos (níveis) do modelo, a tabela a seguir mostra vários exemplos de entidades do mundo real e suas correspondentes no modelo.

CORRESPONDÊNCIA ENTRE UNIVERSOS DO MODELO
Universo do mundo realUniverso conceitualUniverso de representaçãoUniverso de implementação
Mapa de vegetaçãoGeo-campo TemáticoImagem temática Subdivisão PlanarMatriz 2D Linhas 2D (com R-Tree)
Mapa altimétricoGeo-campo NuméricoGrade regular, Grade triangular,Conjunto Pontos 3D, Conjunto IsolinhasMatriz 2D, Linhas 2D e Nós 3D, Pontos 3D (KD-tree), Linhas 2D
Lotes urbanosGeo-objetos
Mapa de lotesCadastralSubdivisão PlanarLinhas 2D (com R-Tree)
Rede elétricaRedeGrafo OrientadoLinhas 2D (com R-Tree)

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