IMAGEM DIGITAL

Em sensoriamento remoto orbital, um grande número de dados é usado para representar uma imagem, que podem ser manipulados no formato digital, a fim de se extrair informações destas imagens. A cada ponto imageado pelos sensores, corresponde a uma área mínima denominada "pixel" (picture cell), que deve estar geograficamente identificado, e para o qual são registrados valores digitais relacionados a intensidade de energia refletida em faixas (bandas) bem definidas do espectro eletromagnético.

Uma imagem digital pode ser definida por uma função bidimensional, da intensidade de luz refletida ou emitida por uma cena, na forma I(x,y); onde os valores de I representam, a cada coordenada espacial (x,y), a intensidade da imagem nesse ponto. Essa intensidade é representada por um valor inteiro, não-negativo e finito, chamado nível de cinza.

Para se realizar o processamento digital de imagens de dados de sensoriamento remoto, é necessário que a imagem esteja no formato digital. Existem basicamente duas maneiras de se obter uma imagem digital: (1) adquirir a imagem de sensoriamento remoto no formato analógico (por exemplo, fotografia aérea), e então digitalizá-la; (2) adquirir a imagem de sensoriamento remoto já no formato digital, tais como os dados em fita CCT (Computer Compatible Tape), gravados por satélites como Landsat e SPOT.

O processo de digitalização de uma imagem não-digital ("imagem contínua"), corresponde a uma discretização (ou amostragem) da cena em observação, através da superposição de uma malha hipotética, e uma atribuição de valores inteiros (os níveis de cinza) a cada ponto dessa malha (processo chamado de quantização).

Em satélites como o Landsat e SPOT, o sinal elétrico detectado em cada um de seus canais, é convertido ainda a bordo do satélite, por um sistema analógico/digital, e a saída enviada para as estações de recepção via telemetria. As imagens destes satélites são amostradas com um número grande de pontos (as imagens do sensor "Thematic Mapper" do satélite Landsat possuem mais de 6000 amostras por linha). Além disso, tais imagens têm a característica de serem multiespectrais, no sentido de constituirem uma coleção de imagens de uma mesma cena, num mesmo instante, obtida por vários sensores com respostas espectrais diferentes.


Entrada de imagens
Para a entrada de dados imagem, as técnicas disponíveis no SPRING são:


Consulte também:
Sobre Sensoriamento Remoto.
Registro de Imagens.
Como obter outras informações conceituais do sistema.


Caracterização de imagens

Pode-se representar uma imagem por uma matriz de dados, onde as linhas e colunas definem as coordenadas espaciais do "pixel". Para isto utiliza-se um número finito de bits para representar a radiância da cena para cada "pixel".

Radiância é o fluxo radiante que provém de uma fonte, numa determinada direção, por unidade de área.

Na realidade a medida da radiância representada em cada "pixel" pelo seu nível de cinza, não é apenas a da radiação refletida pela superfície contida na cena do "pixel", mas também a radiação devida ao espalhamento atmosférico.

A quantificação da radiância contínua de uma cena é representada pelos níveis de cinza discretos na imagem digital, é dada por um número de bits por "pixel" para produzir um intervalo de radiância. Os sensores da nova geração obtêm normalmente imagens em 8 ou 10 bits (equivalente a 256 ou 1024 níveis digitais).

Na realidade o nível de cinza é representado pela radiância média de uma área relativamente pequena em uma cena. Esta área é determinada pela altitude do sistema sensor a bordo do satélite e outros parâmetros como o IFOV (Instantaneous Field Of View), que é o ângulo formado pela projeção geométrica de um único elemento detector sobre a superfície da Terra.

A figura abaixo ilustra o sistema de coordenadas usualmente utilizado para representar uma imagem digital. O eixo x orienta o número de colunas, e o eixo y, o número de linhas.

No caso das imagens multiespectrais, a representação digital é mais complexa, porque para cada coordenada (x,y), haverá um conjunto de valores de nível de cinza. Representa-se então cada "pixel" por um vetor, com tantas dimensões quantas forem as bandas espectrais.

Banda espectral é o intervalo entre dois comprimentos de onda, no espectro eletromagnético.




Resolução e Bandas

O SPRING permite a entrada direta de imagens provenientes dos satélites Landsat, SPOT e NOAA. Cada uma destas imagens apresenta características distintas quanto à resolução. Imagens analógicas como fotografias em papel também podem ser tratadas pelo SPRING, podendo ser importadas no formato TIFF após serem "scanerizadas".

Resolução é uma medida da habilidade que um sistema sensor possui de distinguir entre respostas que são semelhantes espectralmente ou próximas espacialmente. A resolução pode ser classificada em espacial, espectral e radiométrica.

Resolução espacial: mede a menor separação angular ou linear entre dois objetos. Por exemplo, uma resolução de 20 metros implica que objetos distanciados entre si a menos que 20 metros, em geral não serão discriminados pelo sistema.

Resolução espectral: é uma medida da largura das faixas espectrais do sistema sensor. Por exemplo, um sensor que opera na faixa de 0.4 a 0.45 m tem uma resolução espectral menor do que o sensor que opera na faixa de 0.4 a 0.5 um.

Resolução radiométrica: está associada à sensibilidade do sistema sensor em distinguir dois níveis de intensidade do sinal de retorno. Por exemplo, uma resolução de 10 bits (1024 níveis digitais) é melhor que uma de 8 bits.

A tabela a seguir apresenta as características de resolução dos sistemas sensores Thematic Mapper (TM), Haute Resolution Visible (HRV) e Advanced Very Resolution Radiometer (AVHRR), a bordo dos satélites Landsat, SPOT e NOAA, respectivamente.

TM
HRV
AVHRR
Freqüência da
aquisição de imagens
16 dias26 dias2 vezes ao dia
Resolução espacial
30 m
120 m (Banda6)
20 m (Banda1 a 3)
10 m (Pan)
1.1 Km (nominal)
Resolução radiométrica
8 bits8 bits (1-3)
6 bits (Pan)
10 bits
Resolução espectral

bandas espectrais

(micrômetros)
Banda1 - 0.45-0.52
Banda2 - 0.52-0.60
Banda3 - 0.63-0.69
Banda4 - 0.76-0.90
Banda5 - 1.55-1.75
Banda6 - 10.74-12.5
Banda7 - 2.08-2.35
Banda1 - 0.50-0.59
Banda2 - 0.61-0.68
Banda3 - 0.79-0.89
Pan - 0.51-0.73
Banda 1 - 0.58-0.68
Banda 2 - 0.725-1.1
Banda 3 - 3.55-3.93
Banda 4 - 10.30-11.30
Banda 5 - 11.50-12.50

As diferentes bandas espectrais dos sensores têm aplicações distintas em estudos de sensoriamento remoto. Para orientar o usuário na seleção das melhores bandas a serem utilizadas no seu projeto, apresenta-se as tabelas a seguir.

>Reflectância de vegetação verde sadia
Satélite Landsat - Sensor TM
CanalFaixa Espectral (um) Principais aplicações
1
0.45 - 0.52
Mapeamento de águas costeiras
Diferenciação entre solo e vegetação
Diferenciação entre vegetação coníferas e decídua
2
0.52 - 0.60
3
0.63 - 0.69
Absorção de clorofila
Diferenciação de espécies vegetais
4
0.76 - 0.90
Levantamento de biomassa
Delineamento de corpos d'água
5
1.55 - 1.75
Medidas de umidade da vegetação
Diferenciação entre nuvens e neve
6
10.4 - 12.5
Mapeamento de estresse térmico em plantas
Outros mapeamentos térmicos
7
2.08 - 2.35
Mapeamento hidrotermal


Satélite SPOT - Sensor HRV
CanalFaixa Espectral (um) Principais aplicações
1
0.50 - 0.59
Reflectância de vegetação verde sadia
Mapeamento de águas
2
0.61 - 0.68
Absorção da clorofila
Diferenciação de espécies vegetais
Diferenciação de solo e vegetação
3
0.79 - 0.89
Levantamento de fitomassa
Delineamento de corpos d'água
Pan
0.51 - 0.73
Estudo de áreas urbanas


Satélite NOAA - Sensor AVHRR
CanalFaixa Espectral (um) Principais aplicações
1
0.58 - 0.68
Mapeamento diurno de nuvem, gelo e neve.
Definição de feições de solo e cobertura vegetal.
2
0.725 - 1.1
Delineamento da superfície da água
Definição de condições de fusão de neve e gelo
Avaliação da vegetação e monitoramento metereológico (nuvens).
3
3.55 - 3.93
Mapeamento noturno e diurno de nuvens
Análise da temperatura (C) da superfície do mar
Detecção de pontos quentes (incêndios).
4 e 5
10.30 - 11.30 (4)

11.50 - 12.50 (5)
Mapeamento noturno e diurno de nuvens.
Medição da superfície do mar, lagos e rios.
Detecção de erupção vulcânica.
Umidade do solo, atributos metereológicos das nuvens.
Temperatura da superfície do mar e umidade do solo.


Imagem



Formato de Imagens

O SPRING prevê a leitura em vários dispositívos, nos formatos superestrutura ou "fast format" para os sistemas sensores descritos acima.

Formato superestrutura

Formato "fast format"


Imagem



Imagem TM/Landsat

A imagem TM/Landsat que o SPRING faz a leitura deve estar no padrão BSQ de bandas seqüenciais. Este padrão é o freqüentemente gerado pelo INPE, em Cachoeira Paulista, e disponível para o usuário nos formatos superestrutura ou "fastformat".

No padrão BSQ, a imagem é registrada na fita, banda a banda, conforme ilustra o esquema a seguir:

O usuário pode escolher os produtos digitais das fitas TM-Landsat com níveis de correção geométrica. Os níveis possíveis são 4, 5 e 6, descritos a seguir.

O tamanho de uma cena de uma imagem TM/Landsat é de 6177 linhas por 6489 colunas, a qual pode ser dividida em quadrantes de 3087 linhas e 3243 colunas. Os quadrantes encontram-se dispostos na cena conforme a figura a seguir:

Quadrantes
A=1,2,,5,6N= 2,3,6,7
B=3,4,7,8S= 10,11,14,15
C=9,10,13,14W= 5,6,9,10
D=11,12,15,16E= 7,8,11,12
X=6,7,10,11

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16



Imagens Ladsat em CDROM

Os dados Landsat TM em CD-ROM são distribuídos em forma de cenas inteiras (full frame - aproximadamente 185 x 185 km) ou quadrantes (aproximadamente 96 x 96 km), desde 1 até 7 bandas espectrais. Todas as cenas são fornecidas com o mesmo nível de correção radiométrica básica, que consiste na equalização da resposta dos sensores, de forma a eliminar o efeito de "stripping" dos dados Landsat-TM. Não são aplicadas equalizações de histogramas ou correções para o ângulo de elevação do sol.

O CD-ROM é formatado no padrão IBM-DOS, podendo ser lido por qualquer unidade de leitura que aceite discos óticos em conformidade com o padrão ISO-9660. O disco está estruturado em sub-diretórios:


Por exemplo, a banda 7 da mesma cena do Rio de Janeiro, quadrante A, adquirida pelo satélite em 31 de janeiro de 1994, deverá ser acessada com o nome:\217_076a\940131\banda7.dat

As imagens em CDROM são gravadas no formato superestrutura.

No CD-ROM eventualmente, poderá existir um sub-diretório adicional, \DEMO, com algumas imagens de demonstração, em formato TIFF ou JPEG.


Consulte também:
Sistemas Orbitais.


Imagem



Imagem HRV/SPOT

O programa de leitura de imagens do SPRING (IMPIMA), permite a leitura de imagem HRV/SPOT, onde esta deve estar no formato banda intercalada por linha (BIL), usualmente gerado pelo INPE, em Cachoeira Paulista, e disponível para o usuário.

No formato BIL, cada linha é gravada seqüencialmente para todas as bandas, conforme ilustra o esquema a seguir:

O usuário pode escolher os produtos digitais das fitas HRV-SPOT com níveis de correção geométrica. Os níveis possíveis são 1A, 1B, 2A e 2B, descritos a seguir.

A definição do formato de uma cena, em uma imagem SPOT, depende se esta possui informação multiespectral (bandas 1, 2 e 3) ou pan-cromática (pan), ou ainda depende do nível de correção da imagem.

O usuário tem acesso a estas informações em uma listagem fornecida juntamente com a fita.

O tamanho das imagens SPOT é definido de acordo com o nível de correção, conforme mostra a tabela a seguir:

Nível
Modo
Nº linhas
Nº colunas
1A
P

XS
6.000

6.000
6.000

3.000
1B
P

XS
6.000

3.000
6.400 a 8.500

3.200 a 4.250
2A/2B
P

XS
7.200 a 10.200

3.600 a 5.100
7.500 a 10.200

3.750 a 5.100

Uma cena da imagem SPOT pode também ser divida em quadrantes, conforme ilustra a figura abaixo. Cada quadrante representa uma área de aproximadamente 40 x 40 Km.


O usuário tem a possibilidade de requisitar uma cena que esteja localizada entre quadrantes. Para isto, deve identificar a área desejada na imagem e definir um quadrado de 40 x 40 Km envolvendo-a.


Consulte também:
Sistemas Orbitais.


Imagem



Imagem AVHRR/NOAA

A imagem AVHRR/NOAA que o INPE fornece, encontra-se no padrão banda intercalada por "pixel" (BIP). No formato BIP, cada "pixel" é gravado seqüencialmente para todas as bandas, conforme ilustra o esquema a seguir.

Registro
Linhas
Colunas
1
1
B1.1 B2.1 B3.1 B4.1 B5.1 B1.2 B2.2
2
2
B1.n B2.n B3.n B4.n B5.n B1.n+1...

onde: n é o número do "pixel" que vai ser gravado na linha seguinte.


As fitas podem ser gravadas em 10 bits (full) ou 8 bits (compress). Uma fita gravada em 10 bits pode conter até as cinco bandas registradas e possue a seguinte configuração, como mostra a figura ao lado:

onde: (1) "Header": apresenta as características do satélite, data de gravação, formato, etc.

(2) Matriz de Referência Geodésica (MRG): apresenta os dados de navegação da imagem.

(3) Dados TIP: dados de documento da imagem como linha, coluna, resolução, etc.

(4) Dados AHVRR: a imagem propriamente dita.

Uma fita gravada em 8 bits pode conter até três bandas registradas e possue a seguinte configuração:


As imagens AVHRR gravadas em Cachoeira Paulista-INPE não apresentam nenhuma correção de geometria ou radiometria.

O tamanho das imagens AVHRR é definido pelo ângulo de varredura do sensor, isto é, 2048 amostras ("pixels") por canal, para cada varredura na Terra. Para as fitas gravadas em Cachoeira Paulista, o número de colunas é dado pelo alcance da antena receptora, por exemplo: o início de gravação fica aproximadamente na região do Rio Grande do Sul, e o término, na região da Amazônia Central.


Consulte também:
Sistemas Orbitais.


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Arquivos GRIB

GRIB (Gridded binary) é um formato de valores de ponto de grade expresso no modo binário. Destina-se a aumentar o desempenho da transmissão e economizar memória no armazenamento, visto que é uma forma compactada de dados.

O formato GRIB apresentam-se agrupado em blocos:

NOTA: As imagens resultantes do módulo de leitura IMPIMA e internamente no módulo SPRING, são armazenadas no formato GRIB.

No SPRING, quando o usuário desejar carregar uma imagem no seu Projeto de trabalho, isto deverá ser feito através do sub-menu Importar Arquivos GRIB na barra de menu Arquivo, com imagens no formato GRIB. A imagem será automaticamente convertida para a projeção do projeto corrente, e seus limites definidos de acordo com os do projeto (veja como fazer o georeferenciamento de imagens ao importar imagens GRIB).

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Imagens no SPRING

Para entrada de imagens de sensores remotos no SPRING as técnicas disponíveis são:

ima_grib.gif - 10177 Bytes

Como se vê na figura acima temos dois procedimentos diferentes para introduzir uma imagem no módulo "Spring". Veja o significado de cada processo:


OBS: Internamente o módulo "Spring" armazena as imagens no formato GRIB, onde cada banda (PI) será representado por um arquivo GRIB. Diferente de um arquivo GRIB gerado pelo "Impima", que pode conter várias bandas de uma mesma cena.



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