O módulo de Consulta Espacial permite somente a consulta sobre geo-objetos, sendo que estes podem estar associados a representações gráficas 2D (pontos, linhas e regiões). Como as operações da álgebra de geo-objetos podem envolver restrições espaciais, será fundamental caracterizar os relacionamentos espaciais, que podem ser divididos em (Güting, 1994):
A definição de um conjunto mínimo de operadores é objeto de muito debate na literatura:
Devido à variedade de propostas, o esforço para formalizar os relacionamentos espaciais é parte fundamental da proposta de uma álgebra de geo-objetos para um conjunto bem definido de objetos geográficos (casos "simples" de regiões sem buracos e linhas contínuas).
Para a análise de relacionamentos topológicos entre elementos do tipo ponto-linha-área, utilizam-se os termos propostos por Clementini et al. (1993) que, a partir da análise das configurações possíveis entre estes elementos, propõem alguns nomes para os relacionamentos topológicos: toca, dentro, contém, igual, intercepta (ou cruza), cobre, coberto e disjunto.
Diz-se que um conjunto de pontos w1 toca outro conjunto w2 se a única coisa em comum entre eles está contida na união de suas fronteiras, como ilustram os exemplos da Figura 1 abaixo.
Figura 1 - Exemplos de situações topológicas que ilustram o relacionamento toca, no caso de duas áreas (a, b), duas linhas (c, d), linha e área (e, f, g), um ponto e uma linha (h) e um ponto e uma área (i). Adaptado de Clementini et al. (1993).
Diz-se que um conjunto de pontos w1 está dentro de outro conjunto w2 quando a interseção dos dois conjuntos de pontos é o próprio w1 (vide Figura 2 abaixo). Nesse caso pose-se dizer ainda que w2 contém w1. Se além disso, o conjunto de pontos w2 estiver dentro do conjunto w1, diz-se que o conjunto w1 é igual ao conjunto w2.
Figura 2 - Exemplos do relacionamento "dentro de" (contido em).
Diz-se que a linha w1 intercepta a linha w2 se quando a intersecção ocorre em ponto interno de ambas (note-se que a
interseção de seus pontos limites será definida como toca); de forma similar, uma linha intercepta uma área se o interior
da linha está parcialmente interno e parcialmente externo à esta área. Diz-se que o conjunto de pontos w1 cobre o conjunto
w2, ou, equivalentemente que o conjunto de pontos w2 é coberto por w1, quando o resultado de sua intersecção é uma figura
da mesma dimensão de ambos. Este relacionamento é aplicável apenas a casos de elementos homogêneos. Finalmente, diz-se que
dois conjuntos de pontos são disjuntos se sua intersecção é vazia.
Veja os exemplos da Figura 3 abaixo.
Figura 3 - Exemplos de relacionamentos:
1. Cruza entre duas linhas (a), linha e área (b, c). 2. Sobrepõe entre duas áreas (d), duas linhas (e, f).
3. Disjunto entre duas áreas (g), linha e área (h), dois pontos (i). (Adaptado de Clementini et al. (1993)).
Relacionamentos baseados na topologia das entidades geográficas, como os vistos nos parágrafos anteriores, permitem descrever
consultas tais como: "dê-me todas as escolas municipais do bairro Jardim Satélite".
No caso do relacionamento direcional, o SPRING implementa os critérios direcionais: Norte, Sul, Leste, Oeste, Noroeste, Nordeste,
Sudeste, Sudoeste e Centro.
O relacionamento direcional é representado por uma matriz 3x3 onde o elemento central corresponde ao retângulo envolvente do
elemento base de comparação, e as outras células correspondem às posições vizinhas de mesma dimensão nas direções cardinais
básicas:
[1, 1] - Noroeste; [1, 2] - Norte; [1, 3] - Nordeste;
[2, 1] - Oeste; [2, 2] - Centro; [2, 3] - Leste;
[3, 1] - Sudoeste; [3, 2] - Sul e [3, 3] - Sudeste.
A análise é feita a partir da posição da célula central da matriz que contém o elemento base de comparação, com as células
direcionais vizinhas. Como elementos de comparação são utilizados os retângulos envolventes dos objetos que podem interceptar
ou não as celulas direcionais.
A busca assim direcionada permite descrever consultas tais como: "dê-me as escolas a nordeste de um certo municípo".
O relacionamento métrico implementado no SPRING permite usar a proximidade entre objetos como critério de busca, com base na
fixação de limiares de distância com o auxilio dos operadores "<" e ">=" e valores introduzidos diretamente na interface.
A busca por critérios métricos permite descrever consultas tais como: "dê-me todas as escolas a menos de 500 m da Via Dutra".
A sessão "Dados a Comparar" na interface de consulta permite escolher coleções de objetos em mapas cadastrais que serão
confrontados com os elementos base de comparação. Estes devem corresponder a feições de um mapa cadastral ativo no painel de
controle do SPRING.
A sessão "Opções de consulta" da interface de consulta consiste das opções:
Tudo: seleciona todos os objetos ativos no módulo de consulta.
Nova: executa um novo processo de consulta baseados nas opções selecionadas na interface, considerando todos os
objetos ativos.
Adiciona: adiciona o novo resultado utilizando todos objetos, ao conjunto de objetos atualmente selecionados.
Refina: utiliza na consulta somente os objetos atualmente selecionados.
Segue-se a descrição de um procedimento básico para realizar uma consulta espacial no SPRING.
Executando uma consulta espacial :
Desfazendo uma consulta:
Consulte também:
Sobre os recursos de consulta do SPRING.
Como controlar a Visualização de Objetos.
Como Selecionar objetos por seus Atributos.
Como manipular a Tabela de Objetos.
Como apresentar Atributos e Foto de Objeto.
Módulo de Consulta