Teoria : Estruturas de Dados
Estrutura Vetorial
Quais tipos de dados são representados
por estruturas vetoriais?
- Mapa temático:
- Contém regiões geograficamente
definidas por um ou mais polígonos como os cartografados
em mapas de uso do solo e de vegetação. As informações
qualitativas são sobre um único tema obtidos, ou
a partir de levantamentos de campo e posteriormente inseridos
no sistema por digitalização ou a partir da classificação
automática de imagens.
- Associado a uma categoria do modelo temático,
onde o processo de modelagem espacial é definido por geocampos,
representados por áreas homogêneas com limites definidos
(polígonos). Cada área de um geocampo está
associada a um e somente um valor de variável espacial
representada. Por exemplo, em um mapa de solo, cada posição
do espaço está associado a um tipo específico
de solo.
- Mapa Cadastral
- Distingue-se de um mapa temático por não
possuir temas e considerar seus elementos como objetos geográficos
que possuem atributos e podem estar representados em vários
mapas de diferentes escalas e projeções. Por exemplo,
os lotes de uma cidade são elementos do espaço geográfico
que possuem atributos (dono, localização, IPTU,
etc.) e que podem ter representações gráficas
em mapas de escalas distintas.
- Associado a categoria do modelo cadastral, onde
o processo de modelagem espacial é definido por objetos
geográficos. Os objetos têm existência independente
de sua representação num mapa e são usualmente
criados a partir de seus atributos e só depois localizados
no espaço. Por exemplo, a classe de objeto de um mapa cadastral
indicada por hospital pode estar especializada em hospital público
e hospital privado e os atributos da classe hospital são
herdados pela subclasses hospital público e hospital privado,
que podem ter atributos próprios.
- De forma similar ao mapa temático, no
mapa cadastral a representação dos dados usualmente
se apresentam na forma vetorial e utiliza a topologia arco-nó-polígono
para armazenamento dos dados.
- Mapa de Rede:
- Mapa que utiliza a topologia arco-nó e
armazena a localização e a simbologia associadas
à estruturas linearmente conectadas. Pode ser associado
à informações referentes à:
- Serviço de utilidade pública, água,
luz e telefone;
- Redes de drenagem (bacias hidrográficas);
- Rodovias.
- Este mapa deverá estar associado a categoria
do modelo e similarmente ao modelo cadastral, o processo de modelagem
espacial é definido por objetos geográficos rede.
Cada objeto geográfico do mapa de rede (ex. cabo telefônico,
transformador de rede elétrica, cano de água) possui
uma localização geográfica exata e está
sempre associado a atributos descritivos, presentes no banco de
dados.
- As informações gráficas
de redes são armazenadas em coordenadas vetoriais, com
topologia arco-nó e podem conter atributos. Os atributos
de arcos, indicam o sentido de fluxo enquanto os atributos
dos nós indicam a impedância (custo de percorrimento).
A topologia de redes constitui um grafo, que armazena informações
sobre recursos que fluem entre localizações geográficas
distintas. Para citar um exemplo, tome-se uma rede elétrica
, que tem entre os componentes: postes, transformadores, subestações,
linhas de transmissão e chaves. As linhas de transmissão
serão representadas topologicamente como os arcos de um
grafo orientado, estando as demais informações concentradas
em seus nós.
- Modelos Numéricos
de Terreno
- Representação matemática
da distribuição espacial de uma determinada característica
vinculada a uma superfície real.
- Associado a uma categoria do modelo numérico,
onde o processo de modelagem espacial é definido por geocampos,
assim para uma dada área geográfica , um geocampo
numérico associa, a cada ponto do espaço, um valor
real.
- Uma mapa de MNT pode ser armazenado na forma
vetorial ou matricial. Na representação vetorial
a topologia pode ser do tipo arco-nó, com arcos que se
conectam entre si através de nós (ponto inicial
e final) ou Grade Triangular (TIN), onde os arcos se conectam
através de pontos formando uma malha triangular. A representação
matricial é do tipo grande retangular, na qual uma área
é dividida em células de tamanho fixo e cada célula
tem o valor as superfície.
Quais os elementos básicos da estrutura
vetorial?
- Pontos, linhas e áreas
(ou polígonos) são os elementos que permitem a estrutura
vetorial representar os dados da forma mais precisa uma vez que
suas coordenadas geográficas estão em um espaço
contínuo e possibilitam descrição exata de
posição, tamanho e dimensão.
O que é ponto?
- Definido para toda entidade geográfica
que pode ser localizada por um par de coordenadas xy, é
utilizada para representar a localização de um fenômeno
geográfico, ou para representar uma feição
do mapa que é muito pequena para ser mostrada como uma
área ou linha. Exemplos: localização de uma
cidade, uma pista de pouso, o pico de uma montanha ou um ponto
cotado (quando este além das coordenadas XY, tem-se um
atributo Z, que pode ser a cota altimétrica ou outro parâmetro
qualquer).
O que é linha?
- Definida por no mínimo dois pares de coordenadas
xy (dois pontos) é utilizada para representar feições
do mapa que são muito estreitas para serem mostradas como
área ou que teoricamente não têm espessura.
Exemplos: um rio, uma rodovia, linha de costa de um continente,
uma linha de contorno ou um limite administrativo.
- Quando uma linha passa a ter um atributo Z qualquer,
além das coordenadas XY dos pontos que a constitui, é
chamada de isolinha. Ao longo de uma isolinha todos os pontos
têm o mesmo valor de Z.
O que são áreas?
- Definidas como série de coordenadas (x,y),
formando segmentos de linhas que fecham uma área e freqüentemente
representam-se elementos de área por polígonos.
Exemplos: extensão geográfica de uma cidade, um
lago, uma área desmatada.
O que são representações
vetoriais?
- Os três elementos básicos são
traduzidos em objetos geográficos com representações
conhecidas como Nós, Pontos, Arcos, Isolinhas, Ilhas,
Linhas poligonais e Polígonos. Dependendo dos objetos
geográficos que serão representados nos mapas, os
pontos correspondem à arcos, nós, linhas poligonais,
polígonos ou ilhas.
O que é arco?
- Conjunto de pontos interligados por segmentos
de reta que começa e termina em um nó. Exemplos:

- Arcos são usados
para modelar as fronteiras dos polígonos delimitando
objetos que definem áreas.
- Um nó é um tipo especial
de ponto que tem por objetivo definir o ponto de interseção
de dois ou mais arcos. Dois polígonos adjacentes podem
compartilhar o mesmo arco, desde que a interseção
das linhas seja delimitada pela presença de um nó.

O que é uma
ilha?
- Tipo especial de polígono delimitado por
um único arco, apenas um nó define o ponto inicial
e final do polígono, uma vez que não há polígonos
adjacentes.
O que é uma
linha poligonal?
- Ou polígono aberto, é formado por
um conjunto de pontos interligados por segmentos de reta que começam
e terminam em um nó. Ao contrário de um arco uma
linha poligonal não define uma área (polígono).
Utilizada para modelar feições lineares como linhas
que representam fraturas geológicas, rios, estradas, e
outros elementos geográficos que possam ser observados
como feições lineares.

- A linha poligonal é utilizada quando o
ponto de interseção das linhas não deve ser
modelada, e então não há necessidade de se
introduzir um nó.
O que é isolinha?
- Uma linha poligonal em que é atribuído
um único valor Z.
O que é topologia?
- Definida como a parte da matemática que
estuda as propriedades geométricas que não variam
mediante uma deformação, especificamente o relacionamento
espacial entre os objetos, como por exemplo proximidade e vizinhança.
Formas e coordenadas dos objetos são menos importantes
que os elementos do modelo topológico como conectividade,
contiguidade e continência. A definição da
topologia explicita os relacionamentos espaciais entre os objetos
através de um processo matemático.
- A definição da topologia para um
dado de modelo temático ou cadastral, resulta na criação
dos polígonos armazenando as informações
das linhas, nós e identificadores que os compõem,
as linhas que são compartilhadas por diferentes polígonos
e as vizinhanças e circunscrividade entre eles.
- A topologia pode ser definida automaticamente
durante a digitalização se, ao digitalizar uma linha,
um nó é inserido automaticamente quando intercepta
outra linha ou termina a própria. Uma vez definida a topologia,
cada polígono poderá então ser associado
a uma classe temática, ou a um objeto do mapa cadastral,
ou ainda de um segmento de um rede.
Como é efetuada a edição
de dados vetoriais?
- O processo de edição de vetores
consiste inicialmente em digitalizar linhas, corrigir ou ajustar
os nós, para então constitur polígonos.
O que é digitalização?
- A digitalização é
um processo que permite converter dados espaciais do meio analógico
para o digital permitindo a realização das operações
típicas de análise espacial. A digitalização
das linhas pode ser por passo, introduzindo ponto-a-ponto, ou
em modo contínuo, seguindo a feição com freqüência
de pontos a serem adquiridos definida através de um Fator
de Digitalização.
- Fator de Digitalização corresponde
ao intervalo entre os pontos da linha a ser digitada. O fator
é dado normalmente em mm na escala do mapa que
está sendo editado e deve ser considerado o fato de a precisão
cartográfica de mapas é da ordem de 0.3mm da escala
do mapa. Assim, um fator de digitalização menor
que este valor estará fora do próprio limite de
precisão do mapa.
- Caso a definição de topologia seja
automática, cada vez que um arco intercepta outro,
um nó é automaticamente definido, sendo ideal para
digitalizar polígonos. Com topologia manual nós
ou quebras de linha devem ser explicitados pelo operador,
sendo indicado para digitalizar linhas que devem permanecer
íntegros, mesma que outras a cruzem.
- A digitalização pode ser realizada
através de diferentes instrumentos, como por exemplo mesa
digitalizadora (o mais usual), dispositivos imageadores por varredura
ou monitor de vídeo (tela).
Como se efetua a digitalização
via mesa?
- A mesa digitalizadora é constituída
basicamente de duas partes:
- - uma superfície plana, sensível
eletronicamente, onde se coloca o mapa ou o gráfico a ser
digitalizado;
- - um "mouse", que envia as coordenadas
(x,y) de um ponto na superfície da mesa, para o computador.
- O mouse da mesa digitalizadora tem a função
de adquirir as coordenadas xy, que serão relacionadas
às coordenadas geográficas, através de botões,
que desempenham funções específicas para
cada objetivo. Em geral as seguintes operações estão
disponíveis:
- Adquirir pontos, ou
seja, edita pontos e linhas com o botão "select"
(botão 1) do mouse do cursor.
- O botão "adjust" para término
de uma linha.
- Finalizar a digitalização
manual dos dados.
Como se efetua a digitalização
via tela?
- Linhas ou pontos do mapa podem ser digitalizados
na própria tela, utilizando-se o mouse do cursor para a
definição dos objetos geográficos, utilizando
os botões do mouse do cursor:
- O botão select do mouse do cursor
seleciona e edita linhas ou seleciona, edita e move pontos.
- O botão adjust do mouse do cursor
marca o fim de uma linha, inserindo nós.
Quais erros estão
associados à digitalização de vetores?
- Digitalização de número
de pontos insuficientes: a representação
do formato de curvas depende do número de vértices
utilizados. Conseqüentemente, o erro relativo à digitalização
de linhas retas é muito menor que o resultante da digitalização
de curvas complexas.
- A definição coerente do Fator
de Digitalização pode minimizar este erro, no
entanto fatores muito pequenos produzem linhas com excesso de
pontos.
- Alguns erros podem ser evitados e outros provocados
a partir da escolha da topologia manual ou automática,
podendo ser classificados quanto a estes procedimentos.
Quais erros ocorrem
com uso de topologia manual
?
- Usuário não definiu um nó
- em um polígono, toda linha que
intercepta outra linha deve ter associado um nó notificando
o ponto de interseção. Neste caso deve-se inserir
um ponto na linha que interceptada e transformá-la em nó
para que se possa as juntar linhas.
- Usuário não fez a sobreposição
dos nós: na digitalização
o polígono fica aberto, ou uma linha não alcança
ou ultrapassa o ponto de interseção. Pode ser necessária
a edição manual destes nós, aproximando-os
ou juntando as linhas.
Quais erros ocorrem
com uso de topologia automática?
- Usuário ultrapassa o limite de interseção
- como a linha será automaticamente
quebrada, uma pequena linha após o cruzamento poderá
ficar residente e deverá ser eliminada manualmente (opção
eliminar linhas).
- Usuário não definiu corretamente
limites entre polígonos: na digitalização,
as linhas podem se sobrepor ou deixar uma lacuna entre elas.
- Sobreposição -
como não há nós inseridos o erro será
apenas detectado na geração de polígonos,
devendo-se então corrigi-lo através da edição
manual.
- Lacuna - este erro
não tem como ser detectado estando relacionado com a acuidade
do operador durante a digitalização.
- Usuário não fez a sobreposição
dos nós: na digitalização
o polígono fica aberto, ou uma linha não alcança
(ou ultrapassa) o ponto de interseção.
- Usuário não definiu corretamente
limites entre polígonos: na digitalização,
as linhas podem se sobrepor ou deixar uma lacuna entre elas.
Como é a estrutura matricial?
- Define-se o formato matricial ou varredura (ou
ainda "raster") como um conjunto de celas localizadas
em coordenadas contíguas, implementadas como uma matriz
2D. Cada célula é referenciada por índices
de linha e coluna e contém um número representando
o tipo ou o valor do atributo mapeado. Os valores de cada "pixel"
estão limitados num certo intervalo numérico, como
por exemplo de 0 a 255 para imagens em 8 bits, ou números
associados à classes no caso de uma imagem temática.
Quais são as vantagens e as desvantagens
das estruturas vetorial e matricial?
- As representações matricial (ou
varredura) e vetorial não são exatamente equivalentes
para um mesmo dado havendo perda de precisão na transformação
do formato vetorial para o formato de varredura, uma vez que bordas
contínuas são discretizadas de acordo com a resolução
da imagem de saída. Esta perda pode ser compensada pelo
fato de que as operações de análise geográfica
no domínio varredura serem mais eficientes.
- A representação vetorial é
a mais adequada para identificar objetos, individualizáveis
no terreno, onde se requer precisão. A representação
varredura por sua vez é mais adequada para fenômenos
e grandezas que variam continuamente no espaço.
| Formato vetorial
| Formato varredura |
| Vantagens |
| Mapa representado na resolução original
| Representa fenômenos variantes no espaço
|
| Associar atributos a elementos gráficos
| Simulação e modelagem mais fáceis
|
| Relacionamentos topológicos
| Análise geográfica rápida
|
| Adequado para grandes escalas
| Adequado para pequenas escalas
|
| (1:25.000 e maiores) | (1:50.000 e menores)
|
| Problemas |
| Não representa fenômenos com
| Espaço de armazenamento utilizado
|
| variação contínua no espaço
| |
| Simulação e modelagem é mais difícil
| Possível perda de resolução
|
| Difícil associar atributos
| |
Como se efetua a conversão do formato vetorial para
o matricial?
- A conversão gera uma imagem em formato
varredura (ou "raster") a partir de dados representados
vetorialmente. Dois casos devem ser analisados: o elemento linear
e o polígono.
- A conversão para um elemento linear pode
ser esquematizada sobrepondo-se este a uma matriz varredura. Essa
conversão identifica os elementos da matriz que cruzam
a linha e codifica-os com atributos ou valores de classe associados
à linha.
- Para elementos poligonais define-se a área
a ser convertida e o tamanho do pixel, definindo uma grade que
é sobreposta ao mapa de polígono original. A cada
pixel é associada uma classe, considerando o centro do
pixel e verificando em qual polígono este se encontra,
associando ao pixel, o valor de classe do polígono.
- A conversão da representação
vetorial para a varredura introduz distorções na
geometria original dos dados. Estas distorções aumentam
com o tamanho do pixel e com a complexidade das fronteiras entre
polígonos. Pixels localizados sobre uma fronteira (pixels
mistos) serão mapeados para a classe do polígono
mais próximo. Quanto menor o tamanho da célula ("pixel"),
maior a fidelidade da imagem convertida.
Como se efetua a conversão do formato
matricial para o vetorial?
- A conversão da representação
varredura para a vetorial deve extrair os contornos dos objetos
e as relações espaciais entre eles, tais como vizinhança
e pertinência entre polígonos, e conectividade entre
arcos.
- A partir da imagem original, o algoritmo gera
uma imagem binária contendo apenas as fronteiras entre
os objetos presentes.
- As fronteiras são construídas entre
os pixels: se a imagem original tem tamanho nxn, onde n é
o número de linhas e o número de colunas, a imagem
binária terá tamanho (2n + 1) x (2n + 1). Durante
a conversão da imagem para o formato binário, detectam-se
também os nós e, a seguir, os contornos dos objetos
são extraídos (vetorizados) da imagem binária
e suavizados para amenizar o "efeito de escada", característico
da representação por varredura.
- Finalmente, os polígonos e as relações
espaciais (vizinhança e pertinência entre polígonos,
e conectividade entre arcos) são construídos.