Teoria : Modelagem Digital de Terreno
O que é o modelo digital de terreno?
- É uma representação matemática
da distribuição espacial da característica
de um fenômeno vinculada a uma superfície real. A
superfície é em geral contínua e o fenômeno
que representa pode ser variado. Dentre alguns usos do MNT pode-se
citar (Burrough, 1986):
- Armazenamento de dados de altimetria para mapas
topográficos;
- Análises de corte-aterro para projeto
de estradas e barragens;
- Elaboração de mapas de declividade
e exposição para apoio a análise de geomorfologia
e erodibilidade;
- Análise de variáveis geofísicas
e geoquímicas;
- Apresentação tridimensional (em
combinação com outras variáveis).
- Para a representação de uma superfície
real no computador é indispensável a criação
de um modelo digital, podendo ser por equações analíticas
ou por uma rede de pontos na forma de uma grade de pontos regulares
e ou irregulares. A partir dos modelos pode-se calcular volumes,
áreas, desenhar perfis e seções transversais,
gerar imagens sombreadas ou em níveis de cinza, gerar mapas
de declividade e exposição, gerar fatiamentos em
intervalos desejados e perspectivas tridimensionais.
- No processo de modelagem numérica de terreno
podemos distinguir três fases: aquisição dos
dados, geração de grades e elaboração
de produtos representando as informações obtidas.
Quais são as fontes de informações
disponíveis?
- Os dados de modelo numérico de terreno
estão representados pelas coordenadas xyz, onde
z, o parâmetro a ser modelado, é função
de xy, ou seja: z=f(x,y). Estes dados são
usualmente adquiridos segundo uma distribuição irregular
no plano xy, ou ao longo de linhas com mesmo valor de z
ou mesmo com um espaçamento regular.
- A aquisição destes dados é
realizada por levantamentos de campo, digitalização
de mapas, medidas fotogramétricas a partir de modelos estereoscópicos
e dados altimétricos adquiridos de GPSs, aviões
e satélites. Entretanto as aplicações ou
produtos de MNT não são elaborados sobre os dados
amostrados, mas sim dos modelos gerados no formato de grade regular
ou irregular. Estes formatos simplificam a implementação
dos algoritmos de aplicação e os tornam mais rápidos
computacionalmente.
- Os métodos de aquisição
de dados podem ser por pontos amostrados com espaçamento
irregular e regular bem como por mapa de isolinhas.
- Amostragem por pontos:
- O cuidado na escolha dos pontos e a quantidade
de dados amostrados estão diretamente relacionados com
a qualidade do produto final de uma aplicação sobre
o modelo. Para aplicações onde se requer um grau
de realismo maior, a quantidade de pontos amostrados, bem como
o cuidado na escolha desses pontos, ou seja a qualidade dos dados,
são decisivos. Quanto maior a quantidade de pontos representantes
da superfície real, maior será o esforço
computacional para que estes sejam armazenados, recuperados, processados,
até que se alcance o produto final da aplicação.
- Amostragem por Isolinhas
- Um mapa de isolinhas é a representação
de uma superfície por meio de curvas de isovalor. Nos mapas
topográficos as isolinhas foram impressas com o uso de
equipamentos, como "stereoplotters", sobre uma base
composta de fotografias em estéreo obtidas por aerolevantamento.
Nestes mapas topográficos existem ainda pontos amostrados
irregularmente que foram obtidos por trabalhos de campo.
Mapa plano-altimétrico.
- A aquisição das isolinhas pode
ser efetuada por meio de digitalização manual com
uso de uma mesa digitalizadora, ou através de um processo
automático por meio de "scanner". A digitalização
manual consiste na operação de identificação
de uma isolinha com um valor de cota e em aquisição
pelo operador por um processo onde segue-se a linha ao longo do
mapa. Na digitalização com o uso de "scanner",
é obtida uma matriz de pontos onde podem ser identificadas
as isolinhas e os valores de cota. Processos de vetorização
que sigam uma isolinha, transformam-na em uma seqüência
de pontos com coordenadas xy de mesmo valor em z,
para cada isolinha.
O que são grades regulares retangulares?
- A grade retangular ou regular é um modelo
digital que aproxima superfícies através de um poliedro
de faces retangulares. Os vértices desses poliedros podem
ser os próprios pontos amostrados caso estes tenham sido
adquiridos nas mesmas posições xy que definem
a grade desejada.
Modelo de superfície gerada por uma
grade retangular.
- A geração de grade regular ou retangular
deve ser efetuada quando os dados amostrados na superfície
não são obtidos com espaçamento regular.
Assim, a partir das informações contidas nas isolinhas
ou nos pontos amostrados, gera-se uma grade que representa de
maneira mais fiel possível a superfície. Os valores
iniciais a serem determinados são os espaçamentos
nas direções x e y de forma que possam
representar os valores próximos aos pontos da grade em
regiões com grande variação e que, ao mesmo
tempo, reduzam redundâncias em regiões quase planas.
- O espaçamento da grade, ou seja a resolução
em x ou y, deve ser idealmente menor ou igual a
menor distância entre duas amostras com cotas diferentes.
Ao se gerar uma grade muito fina (densa), ou seja com distância
entre os pontos muito pequena, existirá um maior número
de informações sobre a superfície analisada
necessitando maior tempo para sua geração. Ao contrário,
considerando distância grandes entre os pontos, será
criado uma grade grossa que podendo acarretar perda de informação.
Desta forma para a resolução final da grade deve
haver um compromisso entre a precisão dos dados e do tempo
de geração da grade.
- Uma vez definida a resolução e
conseqüentemente as coordenadas de cada ponto da grade, pode-se
aplicar um dos métodos de interpolação para
calcular o valor aproximado da elevação: vizinho
mais próximo, média simples, média ponderada,
média ponderada por quadrante e média ponderada
por cota e por quadrante.
- Uma grade regular pode ainda ser gerada a partir
de outra grade regular ou de uma irregular. Para a geração
de uma nova grade regular a partir de outra grade retangular podem
ser utilizados os interpoladores linear e bicúbico. Para
a geração de grade retangular a partir de um TIN
("Triangular Irregular Network") pode-se ajustar uma
superfície plana ou uma superfície de quinto grau,
que garante suavidade ao modelo.
O que são grades irregulares triangulares?
- Na modelagem da superfície por meio de
grade irregular triangular, cada polígono que forma uma
face do poliedro é um triângulo (veja figura abaixo).
Os vértices do triângulo são geralmente os
pontos amostrados da superfície. Esta modelagem permite
que as informações morfológicas importantes
como as descontinuidades, representadas por feições
lineares de relevo (cristas) e drenagem (vales), sejam consideradas
durante a geração da grade triangular, possibilitando
modelar a superfície do terreno preservando as feições
geomórficas da superfície.
Modelo de superfície gerada por grade
triangular
- O número de redundâncias é
bastante reduzido comparado a grade retangular, uma vez que a
malha é mais fina em regiões de grande variações
e mais espaçada em regiões quase planas. As descontinuidades
da superfície podem ser modelados através de linhas
e pontos característicos.
- Esta grade tem a vantagem de utilizar os próprios
pontos amostrados para modelar a superfície, sem a necessidade
de qualquer tipo de interpolação sobre os mesmos.
A desvantagem da grade irregular é que os procedimentos
para obtenção de dados derivados de grades triangulares
tendem a ser mais complexos e consequentemente mais demorados
que os da grade retangular.
- Os métodos para a geração
de grade triangular são divididos em método com
as linhas de quebra e método sem as linhas de quebra.
- Durante a geração de grades triangulares
com as linhas de quebra, estas linhas de quebra (que modelam
as informações morfológicas de descontinuidade),
são incorporadas à triangulação, constituindo
arestas de triângulos. O modelo final terá estas
informações adicionais de linha de quebra incorporadas,
possibilitando uma representação mais fiel do terreno,
uma vez que não suaviza a superfície ao longo de
feições como vales e cristas.
- O método sem linhas de quebra realiza
a triangulação sem considerar as linhas de quebra,
resultando em um modelo de terreno suavizado também ao
longo das linhas de quebra.
O que são interpoladores?
- São utilizados para geração
de grade retangular a partir de amostras. Os métodos
de interpolação mais utilizados são:
- Vizinho mais Próximo
- para cada ponto xy da grade é atribuído
a cota da amostra mais próxima ao ponto. Este interpolador
deve ser usado quando se deseja manter os valores de cotas das
amostras na grade sem gerar valores intermediários.
Valor de cota (+) equivale ao valor amostrado
mais próximo (*).
- Média Simples
- o valor de cota de cada ponto da grade é estimado a partir
da média simples das cotas dos 8 vizinhos mais próximos
desse ponto. Utilizado geralmente quando se requer maior rapidez
na geração da grade, para avaliar erros grosseiros
na digitalização.
, onde:
- n = número
de vizinhos
- z = valor de cota
dos 8 n vizinhos
- i=1
- f(x,y) = função
interpolante
Valor da cota (+) obtido a partir dos 4 vizinhos
amostrados mais próximos (*)
- Média Ponderada
- o valor de cota de cada ponto da grade é calculado a
partir da média ponderada das cotas dos 8 vizinhos mais
próximos a este ponto, por uma função que
considera a distância do ponto cotado ao ponto da grade.
d = ((x - x0)2 + (y
- y0)2)1/2
d = distância euclidiana do ponto interpolante
ao vizinho i
w(x,y) = (1/d)u=1
u = 1
= expoente da função de ponderação
, onde:
- w(x,y) - função
de ponderação
- f(x,y) - função
de interpolação
- Produz resultados intermediários entre
o interpolador de média simples e os outros interpoladores
mais sofisticados, num tempo de processamento menor.
- Média Ponderada por Quadrante
- Calcula a média ponderada utilizando a função
de interpolação anterior. É considerado uma
amostra por quadrante (total de 4 amostras) e o número
de pontos amostrados é igual para cada um dos quadrantes.
Dev-se utilizar quando as amostras são todas do tipo ponto.
Valor de cota por quadrante com peso proporcional
ao inverso da distância dos valores amostrados.
- Média Ponderada por Cota e por Quadrante
- este interpolador também realiza a mesma função
de interpolação vista anteriormente. Além
da restrição de quadrante do método anterior,
o número de amostras por valor de elevação
é limitado. É recomendado quando as amostras são
do tipo isolinhas.
Valor da cota obtido pela média ponderada
de cotas das isolinhas por quadrante.
Como se gera uma grade
retangular a partir de uma grade retangular?
- A geração de uma nova grade retangular
a partir de uma grade retangular anterior elaborada, também
conhecido por refinamento da grade, consiste em diminuir o espaçamento
entre pontos da grade, adensando-a. Estes pontos internos ao retalho
apresentam valor de cota z da nova grade estimados através
dos interpoladores bicúbico e bilinear.
Como se estima com o interpolador bicúbico?
- Para realizar um refinamento bicúbico
em um ponto P são considerados os 16 vizinhos A,
B, C, D, E, F, G,
H, I, J, K, L, M,
N, O e Q, sendo quatro pontos extremos
da célula que contém o ponto P e os pontos
extremos das células adjacentes aos primeiros quatro pontos.
- Para avaliar o valor da cota no ponto P
usa-se a seguinte estratégia:
- Calcula-se os valores de cota dos pontos R,
S, T, e U a partir de uma interpolação
cúbica (2-D) entre os valores de cota dos pontos ABCD,
EFGH, IJKL e MNOQ, respectivamente;
- A partir dos valores de cota dos pontos R,
S, T e U obtém-se o valor da cota
do ponto P utilizando o mesmo interpolador cúbico.
- O refinamento bicúbico, apesar de ser
mais lento computacionalmente que o bilinear, fornece resultados
melhores pois garante continuidade de primeira e segunda ordem
entre as funções que representam cada célula
do modelo. Desta forma a superfície resultante é
suave nos pontos da grade e também ao longo dos segmentos
que formam os retângulos ou seja, a grade é mais
suave e cada retalho da grade é contínuo e suave
em relação aos seus vizinhos.
Como se estima com o interpolador bilinear?
- Para se calcular a superfície bilinear,
para uma célula da grade aproveita-se as características
de ordenação das posições dos elementos
das células e otimiza-se o procedimento que implementa
este interpolador.
- Considera-se uma célula da grade formada
pelos pontos vértices A, B, C e D,
e um ponto genérico situado no interior da célula
M.
- O valor em M é função
de: M=f(u,v), (u,v) em (0,1). A interpolação bilinear
sobre a célula ABCD é realizada pela seguinte
seqüência:
- Interpola-se linearmente os pontos E e
F a partir dos pontos C e D, e A e
B, respectivamente;
- Interpola-se o ponto M linearmente a partir dos
pontos E e F. Assim, o valor de cota zm
é :
zm = zE * (1-v) + zF
* v
zm = v * (u * zB + (1-u)
* zA) + (1-v) * ( u * zD + (1-u) * zC)
(u,v) normalizados em (0,1)
- Este método é mais rápido
computacionalmente em relação ao interpolador bicúbico,
com desvantagem de produzir superfícies pouco suavizadas,
devendo ser usado quando não se necessita de uma aparência
suave da superfície.
Como se gera uma grade
retangular a partir de um TIN?
- A conversão da grade triangular para a
grade retangular pode ser necessária quando se deseja uma
forma matricial para o modelo numérico de terreno. Deste
modo as informações do terreno modeladas por uma
grade triangular podem ser analisadas com outras informações
do tipo matricial. O processo de conversão utiliza o ajuste
de uma superfície a cada triângulo, sendo as superfícies
mais usuais as seguintes: Plano, Quíntico considerando
linhas de quebra e Quíntico sem linhas de quebra.
Como se gera uma grade retangular com superfície
plana?
- O plano ajustado a cada retalho triangular da
grade determinar os valores de z em cada posição
xy dentro do triângulo. A equação de uma
superfície plana pode ser expressa por: Ax +By +Cz +D=0.
- As superfícies de retalhos diferentes
se encontram no lado comum destes triângulos sem continuidades
suaves.
Como se gera uma grade retangular com superfície
quíntica sem linhas de quebra?
- Linhas de quebra são
linhas que definem descontinuidades na superfície para
os dois diferentes lados da linha, como linhas de vale ou de crista.
Um rio por exemplo pode ser editado como uma linha de quebra em
que ao longo de suas margens há uma descontinuidade de
relevo, sem nenhum valor de cota a ele associado. Estas linhas
de quebra podem ser ou não consideradas na geração
de uma grade triangular e o interpolador quíntico sem linhas
de quebra não as considera.
- A superfície ajustada ao retalho da grade
é um polinômio do quinto grau, definida por:
.
A utilização deste interpolador permite gerar uma
superfície mais suave quando comparada com outra grade
gerada pelo interpolador linear.
Grade triangular sem linha de quebra.
- Recomendado quando deseja-se uma superfície
suave e não há linhas de vale ou crista muito realçadas
(linhas de quebra) no modelo numérico do terreno.
Como se gera uma grade retangular com superfície
quíntica com linha s de quebra?
- Este interpolador difere do anterior apenas no
que se refere às linhas de quebra. Utiliza a mesma superfície
de quinto grau para ajustar os retalhos da grade, porém
o algoritmo reconhece a linha de quebra e a superfície
ao longo dela não será suave.
Grade triangular com linhas de quebra.
- Recomendado para situações onde
as linhas de quebra podem ser digitalizadas para salientar feições
lineares de relevo e deseja-se uma superfície suave.
Como visualizar um modelo de terreno por meio
de uma imagem?
- Gerando imagens em níveis de cinza a partir
de um MNT considerando o intervalo de espaço de cores entre
0 e 256 ou imagens sombreadas que consideram o azimute e de elevação
da fonte de luz.
Como se gera uma Imagem
em nível de cinza?
- A geração de imagem para
um modelo numérico de terreno, onde os pixels conterão
níveis de cinza, consiste em distribuir os valores mínimos
e máximos das cotas, obtidas a partir da grade retangular,
em níveis de cinza de 0 a 256 linearmente. Assim, cada
célula da grade corresponde a um pixel na imagem de saída
com os valores mínimos de cota serão representados
por pixels escuros e os valores máximos por pixels claros.
Como se gera uma imagem
sombreada?
- A imagem sombreada gerada a partir de
um MNT possibilita visualizar as diferenças de relevo no
modelo. A imagem sombreada é gerada a partir de uma grade
regular sobre a qual é aplicado um modelo de iluminação.
O modelo de iluminação determina a intensidade de
luz refletida em um ponto da superfície considerando uma
fonte de luz. O modelo depende da fonte de luz, que podem
ser a luz ambiente ou outra fonte de luz, e da reflexão
da superfície.
- A luz ambiente proporciona uma intensidade de
iluminação a da superfície e pode
ser modelada por I =IaKa.., onde Ia é
a intensidade da luz ambiente e Ka é o coeficiente de reflexão
do material.
- A reflexão depende do material da superfície
(Kd), da intensidade da fonte de luz (Ip)
e do ângulo entre a direção da fonte
da luz e a normal à superfície (cos), sendo dada
pela equação IpKdcos.
- O modelo de iluminação composto
pela luz ambiente pela reflexão é dado pela equação:
I =IaKa + IpKdcos,
onde Kd é considerada igual para qualquer superfície.
- A direção da fonte da luz é
definida a partir do azimute, a partir do Norte (eixo y),
medido no sentido horário e do ângulo de elevação
medido a partir do plano xy. O cosseno de (ângulo
entre a normal à superfície e a direção
da fonte de luz) é o produto escalar: cos = N . L , onde
o vetor N é calculado a partir das derivadas parciais da
grade retangular, constantes para cada célula e o vetor
L é definido pela direção da fonte de luz.
- O exagero de relevo é utilizado
para aumentar a escala vertical em relação à
escala horizontal da imagem sombreada, possibilitando melhorar
a visualização de formas e estruturas da superfície.
Este exagero corresponde a um acréscimo na inclinação
da superfície e é calculado a partir do fator f
obtido em:
, onde:
- é o ângulo de inclinação
da superfície
- zi é
o valor de elevação do i-ésimo ponto da grade.
- f é o valor
do fator de exagero
- R é o valor
do elemento de resolução da grade
O que são isolinhas?
- As isolinhas são curvas que unem entre
si pontos da superfície que tenham o mesmo valor de cota.
O significado do valor da cota depende da magnitude física
da superfície que se pretende modelar. Assim para uma superfície
que representa temperatura se obtém isotermas, para previsão
atmosférica, as isóbaras; para altimetria do terreno,
as curvas de níveis, etc.
Isolinhas de altimetria do terreno.
- As isolinhas podem ser visualizadas como sendo
a projeção no plano xy das interseções
entre a superfície e uma família de planos horizontais
eqüidistantes.
Isolinhas de cota z obtidas pela projeção
do plano xy.
- As curvas de isovalores possuem algumas propriedades
importantes: todas são fechadas, a menos que interceptem
as fronteiras de definição do mapa e nunca se cruzam.
- Isolinhas ou curvas de isovalores podem ser geradas
a partir de um modelo numérico de terreno (MNT) na forma
de grade retangular ou triangular utilizando o método
das células. Neste método, para cada célula
são geradas todas as curvas de isovalor que interceptam
esta célula. Os segmentos de reta são armazenados
para, em uma fase final, serem ligados formando uma curva fechada
de isovalor (caso não atinjam a fronteira da região
de interesse).
Isolinha gerada a partir de uma grade retangular.
O que é declividade?
- Declividade é
a inclinação da superfície do terreno em
relação ao plano horizontal. Considerando um modelo
numérico de terreno (MNT) de dados altimétricos
extraídos de uma carta topográfica e traçando
um plano tangente a esta superfície num determinado ponto
P, a declividade em neste ponto corresponde a inclinação
deste plano em relação ao plano horizontal.
- Em algumas aplicações geológicas,
geomorfológicas e outras, é necessário encontrar
regiões pouco acidentadas ou regiões que estejam
expostas ao sol durante um determinado período do dia.
Para responder estas questões a declividade conta com duas
componentes: o gradiente e a exposição.
- O gradiente é a taxa máxima
de variação no valor da elevação,
pode ser medido em grau (0 a 90) ou em porcentagem (%), e a exposição
é a direção dessa variação
medida em graus (0 a 360).
- O gradiente é dado pela equação:
Onde z é a altitude e x e y
as coordenadas axiais.
- A exposição é dada
pela equação:
- As duas componentes de declividade (gradiente
e exposição) são calculadas a partir das
derivadas parciais de primeira ordem obtidas da grade retangular
ou triangular. Na grade retangular, em cada ponto desta grade
são calculadas as derivadas parciais, computando-se os
valores de altitude em uma janela de 3 x 3 pontos que se desloca
sucessivamente sobre a grade. Em uma grade triangular, as derivadas
parciais podem ser calculadas a partir dos 3 pontos que formam
cada triângulo considerando uma modelagem por superfícies
planas.
O que é um fatiamento?
- Consiste em gerar uma imagem temática
a partir de uma grade retangular ou triangular. Os temas da imagem
temática resultante correspondem a intervalos de valores
de cotas, ou fatias.
Imagem temática fatiada.
- A definição dos intervalos de cotas
ou fatias, dependerá da variação dos valores
da grade que se deseja destacar. Uma imagem temática resultante
do fatiamento da grade permite visualizar o modelo e ser utilizada
em operações de análise como as booleanas
do tipo cruzamento de dados temáticos.
O que é um perfil?
- Um dado do tipo MNT, como uma superfície
topográfica, pode ser representada através de perfis
que descrevem a elevação dos pontos ao longo de
uma linha. O perfil é traçado a partir de uma trajetória
definida pelo usuário ou a partir de linhas que correspondam
a um dado de interesse como o possível traçado de
uma nova estrada.
O que é volume?
- O cálculo do volume é efetuado
considerando as áreas de interesse, ou seja polígonos
fechados e grades retangulares ou triangulares do MNT. A partir
de uma grade calcula-se o valor central de cada célula
da grade, correspondente a altura, multiplicada pelo valor da
área disponível. Dessa forma, o volume é
dado pela seguinte equação:
,
onde
- Ac = constante, é o valor da área
correspondente à cada célula;
- Zi = é o valor da altura de cada célula.
- N = número de células
- O volume de corte e o volume de aterro são
calculados considerando uma cota base. A parte superior da cota
base corresponde ao volume de corte, enquanto a cota inferior
ao volume de aterro. A cota ideal indica o valor onde o volume
do desmonte a ser realizado na área de corte depositado
na área de aterro mantém um equilíbrio de
massas e é calculada por:
Como se visualiza o modelo em projeção?
- Com a projeção dos dados em três
dimensões com a possibilidade de alterar a posição
do observador, a partir do MNT e de uma imagem textura.
O modelo define efeito de elevação da superfície
e a imagem textura as cores da superfície.
- As seguintes projeções são
utilizadas: Projeção paralela, perspectiva e Par-Estereoscópio.
O que é projeção paralela?
- Nesta projeção, a distância
entre o plano de projeção e o centro de projeção
é infinita. As linhas que são paralelas no modelo
continuam paralelas. Uma vez que a distância do observador
`a superfície é infinita, apenas os seguintes parâmetros
são necessários:
- Azimute - posição
angular (em graus) do observador em relação ao Norte
no sentido horário.
- Elevação
- posição angular (graus) do observador, em relação
ao plano horizontal.
O que é projeção perspectiva?
- Ao contrário da paralela, a distância
do centro de projeção ao plano de projeção
é finito. As linhas paralelas não obedecerão
ao paralelismo quando projetadas e os objetos mais próximos
ao observador tendem a ser maiores que os mais distantes. Os seguintes
parâmetros definem a posição do observador:
- Posição do Observador
- em coordenadas X, Y (em coordenadas planas) e
z (valor da cota);
- Azimute - posição
angular (graus) do observador em relação ao Norte,
no sentido horário.
- Elevação
- posição angular (graus) do observador, em relação
ao plano horizontal;
- Abertura - ângulo
ocular do observador.
O que é projeção par estereoscópio:
- É composta por duas projeções
paralelas, com uma distância entre os centros de projeção.
Quando visualizados separadamente pelo olho direito e esquerdo
permitem visão estereoscópica da área. Além
dos parâmetros do observador definidos para a projeção
paralela, necessita de:
- Distância entre as projeções
- distância entre as duas imagens.